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Educação

Piauí torna Inteligência Artificial disciplina obrigatória e recebe prêmio da Unesco

Estado é pioneiro no Brasil e nas Américas ao incluir ensino de IA no currículo da rede pública.

Foto: Reprodução/Ju Jae-young/Shutterstock

Em um movimento inédito no país, o Piauí se tornou o primeiro estado brasileiro — e também o primeiro das Américas — a incluir o ensino de Inteligência Artificial (IA) como disciplina obrigatória no currículo escolar. A iniciativa, implementada em 2024, já alcança mais de 120 mil estudantes da rede pública e foi reconhecida internacionalmente pela Unesco, que concedeu ao programa o prêmio Rei Hamad Bin Isa Al-Khalifa pelo uso de tecnologias digitais na educação.

O projeto, batizado de “Piauí Inteligência Artificial”, foi desenvolvido em parceria com instituições como o Instituto Federal Farroupilha (IFFar), a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), a UFRGS e o IFSul. A proposta combina fundamentos técnicos — como aprendizado de máquina e algoritmos — com reflexões éticas e sociais sobre o uso da tecnologia.

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Como funciona na prática

Segundo o secretário de Educação, Washington Bandeira, o objetivo é preparar jovens para compreender criticamente o papel da IA na sociedade e no mercado de trabalho. O currículo inclui desde conceitos básicos de computação até debates sobre ética digital, fake news e impactos sociais.

As aulas são estruturadas em atividades práticas e discussões, estimulando os alunos a “pensar sobre a IA e com a IA”. Mais de 800 professores foram capacitados em 540 escolas, com metodologias ativas e sala de aula invertida.

“O diferencial do Piauí foi ter reconhecido o potencial da proposta e decidido transformá-la em política pública”, afirma o professor Christian Brackmann, do IFFar.

Desafios e soluções

A implementação enfrentou obstáculos como a heterogeneidade do corpo docente e a desigualdade de infraestrutura entre regiões. Em áreas com internet instável, foram criadas atividades “desplugadas”, que exploram lógica e tomada de decisão com recursos simples como papel e lápis.

Segundo a professora Rosa Maria Vicari, da UFRGS, a formação docente foi organizada em etapas:

  • 1º ano: compreensão dos conceitos e limites da IA;
  • 2º ano: aplicação prática;
  • 3º ano: desenvolvimento de projetos voltados a problemas locais.

Impacto nos estudantes

Relatos de professores indicam maior engajamento e autonomia dos alunos, que passaram a relacionar os conteúdos de IA a temas cotidianos como sustentabilidade e redes sociais. Já há projetos apresentados em feiras nacionais, mostrando como a tecnologia pode ser aplicada para resolver problemas concretos nas comunidades.

“Ao compreender como a IA funciona, os estudantes passam a refletir sobre o papel da tecnologia em suas vidas e na sociedade”, destaca Brackmann.

Fonte: band.com

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