O primeiro debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais foi marcado por troca de acusações, ataques pessoais e pouco espaço para a apresentação de propostas. Promovido pela TV Bandeirantes neste domingo (18), o encontro durou cerca de duas horas, e as discussões sobre projetos para o país ganharam mais destaque apenas no terceiro bloco.
Nos dois primeiros blocos, os candidatos concentraram boa parte do confronto em questionamentos sobre corrupção, familiares e aliados políticos. Em diferentes momentos, os dois desviaram das perguntas para apresentar novas acusações ou rebater declarações do adversário.
Este foi o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio desde o início da campanha presidencial. Os dois não participaram dos debates promovidos pela imprensa durante o primeiro turno e chegaram à etapa final em uma disputa acirrada. O encontro também representou uma oportunidade para buscar votos de eleitores indecisos e de pessoas que não compareceram à primeira votação.
Acusações sobre aliados e familiares
No primeiro bloco, Lula cobrou explicações de Flávio sobre recursos solicitados ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e sobre uma proposta relacionada à retirada da identificação de projéteis balísticos.
“Ele se preparou para não responder nenhuma pergunta”, afirmou Lula. Flávio rebateu: “Porque são mentiras”.
O senador também direcionou perguntas a Lula sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente, e sobre a empresária Roberta Luchsinger. Ao ser questionado sobre ela, Lula respondeu: “Roberta é um problema da PF”, em referência à Polícia Federal.
O presidente também mencionou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, ao questionar sua ida aos Estados Unidos e sua avaliação positiva sobre o aumento de tarifas comerciais imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump.
As questões econômicas também apareceram no primeiro bloco, mas foram acompanhadas por acusações e respostas que, em diversos momentos, não abordaram diretamente o conteúdo das perguntas.
Discussão sobre voto de pessoas presas
Outro momento de destaque ocorreu quando Flávio afirmou que 75% das pessoas presas teriam votado em Lula no primeiro turno. O senador não apresentou, no trecho descrito, a fonte do percentual.
Lula respondeu: “Eu quero que 100% dos presidiários votem em mim. Até teu pai”, em referência a Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e impedido de votar enquanto estiver com os direitos políticos suspensos.
A declaração provocou risadas na plateia. O tema ampliou a troca de ataques entre os candidatos durante o confronto.
Flávio também foi questionado sobre a defesa de um policial que matou uma criança e sobre a política econômica adotada pelo presidente argentino Javier Milei.
Saúde e propostas econômicas
O segundo bloco começou com uma pergunta sobre como ampliar o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e financiar a expansão da rede pública diante das filas e das limitações orçamentárias.
Flávio reconheceu que a saúde não apresentou bons resultados durante o governo de seu pai e atribuiu parte das dificuldades à pandemia de Covid-19.
“De fato, a saúde não foi uma área em que a gente teve um bom resultado durante o governo Bolsonaro, faço aqui mea culpa”, afirmou o senador.
Lula questionou a relação dos adversários com o sistema público de saúde: “Vocês não gostam do SUS?”. Em seguida, citou o programa Mais Médicos e criticou a atuação do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro na área da saúde no Rio de Janeiro.
“Rapaz, você tem que tratar a saúde com respeito”, declarou o presidente.
Flávio mudou o foco da discussão para a economia e apresentou a proposta de criar o Ministério da Prosperidade, com medidas voltadas ao endividamento da população. “Vamos comprar dívidas dos bancos por valor menor”, afirmou.
O debate seguiu com críticas mútuas e questionamentos sobre a atuação dos dois grupos políticos. Embora temas como saúde e economia tenham entrado na discussão, as acusações pessoais e as divergências sobre familiares e aliados ocuparam parte significativa do encontro.
