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Governo mobiliza Forças Armadas para combater incêndios e fumaça no Amazonas

(Foto: Suframa/Divulgação)

O governo federal anunciou neste domingo (18) o reforço da atuação das Forças Armadas no combate aos incêndios e aos efeitos da fumaça que atingem o Amazonas. Um Estado-Maior Conjunto foi instalado em Manaus, que passa a concentrar a coordenação das operações. O anúncio foi feito durante entrevista coletiva com ministros e o governador Roberto Cidade, após reunião na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

A mobilização envolve Marinha, Exército e Aeronáutica, além do reforço das equipes de segurança pública e dos órgãos ambientais. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) tiveram seus efetivos dobrados e receberam equipamentos específicos e apoio aéreo.

O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que a criação do Estado-Maior Conjunto deve agilizar as decisões e reduzir a burocracia na coordenação das ações. Segundo ele, o Comando Militar da Amazônia dispõe de cerca de 20 mil militares, dos quais 5 mil já atuam na operação. O efetivo poderá ser ampliado conforme a necessidade.

Reforço aéreo e mais brigadistas

A partir desta segunda-feira (19), o Amazonas deverá receber mais uma aeronave de combate a incêndios, descrita pelo governo como a mais moderna do país. A operação também contará com quatro helicópteros, dois navios e mais brigadistas, que terão apoio logístico das Forças Armadas, incluindo alimentação e locais para descanso.

Um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) pode lançar 12 mil litros de água por saída. A nova aeronave prevista para chegar ao estado tem capacidade para transportar e lançar até 19 mil litros, conforme as informações apresentadas pelo governo.

O Ibama também ampliará sua equipe em campo para 450 profissionais. O órgão mantém dez aeronaves no estado: seis aviões, três helicópteros e uma aeronave de apoio logístico.

Desde o início do ano, o instituto extinguiu 334 incêndios no Amazonas, quase um quarto dos mais de 1.230 combatidos em todo o país no período informado.

Saúde terá reforço em Manaus

O Ministério da Saúde passará a ter uma sede em Manaus a partir de terça-feira (20). Na mesma data, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) instalará uma base regional para acompanhar possíveis impactos da fumaça sobre a população.

Segundo o governo federal, até o momento não há sobrecarga na rede de saúde. Os atendimentos registrados são de pacientes com quadros de baixa gravidade, sem casos graves informados pela pasta.

Fumaça tem origem em diferentes regiões

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a fumaça que chega a Manaus tem diferentes origens e é transportada por correntes atmosféricas. Ele citou áreas do sul do Pará, incluindo Itaituba e Santarém, onde também há equipes atuando no combate aos incêndios.

De acordo com o ministro, a prioridade é eliminar os focos mais próximos da capital amazonense. Capobianco informou ainda que aeronaves do Ibama realizaram mais de 300 horas de voo em cinco dias e lançaram quase 800 mil litros de água.

O ministro explicou que as operações aéreas podem ser suspensas quando não há autorização para voar, que depende das condições e dos procedimentos de segurança da Aeronáutica.

Governo anuncia recursos para prevenção e resposta

Segundo o governo federal, o planejamento das ações começou em maio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou R$ 1,345 bilhão para medidas preventivas, recursos que permitiram, entre outras ações, a contratação de aeronaves e de mais de 4.400 brigadistas.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, informou que o plano de resposta apresentado pelo governo do Amazonas teve R$ 14 milhões aprovados. Outros cerca de R$ 6,8 milhões foram autorizados para municípios.

Também estão em análise planos municipais que somam R$ 68 milhões para ações relacionadas à estiagem e R$ 95 milhões para o combate aos incêndios. Os recursos são administrados pelo governo estadual ou pelas respectivas prefeituras.

Investigações apuram causas dos incêndios

As autoridades também investigam a origem dos incêndios. A Polícia Federal conduz pelo menos três inquéritos sob sigilo, enquanto a Polícia Civil abriu mais de 126 procedimentos, conforme os números apresentados na coletiva.

Wellington César Lima e Silva afirmou que a motivação, a autoria e a materialidade das infrações só poderão ser estabelecidas após a apuração dos fatos.

Capobianco informou que o Ibama pretende embargar áreas onde forem identificados incêndios e investigar os responsáveis. O governador Roberto Cidade pediu que a população colabore com as autoridades e denuncie possíveis queimadas.

O senador Eduardo Braga (MDB) também afirmou ter solicitado ao presidente Lula uma força-tarefa para o estado no sábado (17). Ele destacou que Manaus sofre com a fumaça de incêndios registrados em outras áreas do Amazonas e do Pará e manifestou preocupação com a situação de Autazes.

Braga pediu que a população evite qualquer tipo de queimada, inclusive em quintais e áreas agrícolas, e alertou que pequenas fontes de ignição podem provocar incêndios de grandes proporções.

Enquanto as equipes ampliam as ações de combate, o governo federal afirma que o trabalho envolve tanto a contenção dos focos de fogo quanto a redução dos impactos da fumaça sobre a população.

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