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Lula é reeleito, mas PL terá 121 deputados e 29 senadores; como fica o cenário no Congresso?

Foto: REUTERS

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu a continuidade do governo federal, mas o presidente iniciará um novo mandato diante de um Congresso com forte presença da oposição. O Partido Liberal (PL), ligado ao adversário derrotado Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada individual tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.

Na Câmara, o PL elegeu 121 dos 513 deputados federais, o equivalente a cerca de 23,6% das cadeiras. No Senado, a composição projetada para fevereiro de 2027 aponta 29 representantes do partido entre os 81 parlamentares. O PT, por sua vez, deverá contar com dez senadores. Os números foram divulgados pela Agência Câmara e pela Agência Senado.

A configuração amplia a presença do PL nas discussões legislativas e dá à oposição espaço para contestar propostas do governo, negociar posições em votações e participar das articulações sobre o funcionamento das duas Casas.

O que a composição representa para Lula?

O tamanho da bancada do PL será um dos fatores da relação entre o Executivo e o Legislativo no próximo mandato. O partido poderá atuar contra iniciativas do governo, defender projetos próprios e pressionar por mudanças no conteúdo de propostas durante a tramitação.

Na Câmara, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) precisa de pelo menos 308 votos favoráveis, em dois turnos. No Senado, são necessários 49 votos, também em dois turnos. Como o PL não reúne sozinho esse número, a aprovação de mudanças constitucionais dependerá das posições dos demais parlamentares.

Projetos de lei complementar exigem maioria absoluta no Senado, equivalente a 41 votos. Já projetos de lei ordinária são aprovados, em regra, por maioria dos votos, desde que haja presença mínima de 41 senadores.

Para formar uma base parlamentar e aprovar suas prioridades, Lula terá de negociar com diferentes partidos. O tamanho da oposição será um elemento importante nessas articulações, mas os efeitos concretos dependerão de cada proposta e das alianças formadas durante as votações.

Senado e Supremo Tribunal Federal

A nova composição também pode influenciar as discussões sobre a relação entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). Parlamentares da oposição têm defendido a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte, tema que deve permanecer na agenda política do Senado.

Um levantamento do Ranking dos Políticos, divulgado após o primeiro turno e repercutido pelo Poder360, identificou 54 senadores que, segundo o estudo, já haviam se manifestado favoravelmente à possibilidade de impeachment de ministros do STF. O número corresponde a dois terços dos 81 integrantes da Casa, quórum exigido para a condenação em um processo por crime de responsabilidade.

O levantamento considera declarações de senadores que continuarão com mandato e de parlamentares eleitos ou reeleitos em outubro. A posição atribuída a esses parlamentares não significa, por si só, que um processo será aberto ou que haverá votos suficientes para uma eventual condenação.

Cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, conforme as regras legais. A abertura e a tramitação de eventuais processos dependem dos procedimentos aplicáveis e das decisões tomadas no âmbito da própria Casa.

Indicações de Lula poderão enfrentar resistência

A composição do Senado também será relevante para futuras indicações do presidente da República a cargos que dependem de aprovação parlamentar. Para a escolha de um ministro do STF, Lula precisará obter o aval da maioria absoluta dos senadores, ou seja, pelo menos 41 votos. A mesma exigência se aplica à indicação do procurador-geral da República.

Uma bancada numerosa de oposição poderá participar das negociações e manifestar resistência a nomes indicados pelo presidente. O resultado, no entanto, dependerá da articulação do governo e dos votos obtidos em cada sabatina e deliberação.

Disputa pela presidência do Senado

Outra questão importante será a eleição para a presidência do Senado no biênio 2027–2028. O cargo tem influência sobre a organização dos trabalhos legislativos, a definição da pauta e o encaminhamento de matérias que chegam ao plenário.

O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula sua reeleição. Ao mesmo tempo, o crescimento do PL fortalece a defesa, entre setores da oposição, de uma candidatura própria. O senador Rogério Marinho (PL-RN) está entre os nomes mencionados para a disputa.

A escolha do próximo presidente do Senado poderá influenciar a condução de pautas de interesse do governo e da oposição, inclusive as relacionadas ao Judiciário. A eleição está prevista para o início de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura.

Com Lula reeleito e o PL ocupando as maiores bancadas individuais nas duas Casas, a relação entre governo e oposição será um dos pontos de atenção do próximo mandato. A composição do Congresso oferece elementos para compreender as negociações políticas que virão, embora o resultado de cada votação dependa das alianças e das decisões dos parlamentares.

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