O ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, se declararam inocentes nesta quinta-feira (15) de novas acusações apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos. O casal é acusado de conspirar para torturar opositores políticos e integrantes das Forças Armadas venezuelanas.
As novas acusações foram apresentadas em 8 de outubro e ampliaram o processo criminal contra Maduro, de 63 anos, e Flores, de 70. Os dois já haviam se declarado inocentes de acusações relacionadas ao abuso de poder para facilitar o transporte de cocaína por traficantes.
As declarações foram feitas durante uma audiência em um tribunal federal de Manhattan, em Nova York, perante o juiz Alvin Hellerstein.
Acusação aponta ordens para torturar opositores
Segundo os promotores do gabinete do procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, Maduro teria orientado autoridades venezuelanas a torturar políticos da oposição e militares suspeitos de conspirar contra seu governo. A acusação sustenta que as ações tinham como objetivo mantê-lo no poder.
Um dos episódios descritos na denúncia teria ocorrido em 2014, quando Maduro supostamente ordenou o sequestro de militares para obter informações sobre possíveis dissidentes. De acordo com os promotores, após alguns deles resistirem, o então presidente teria instruído os responsáveis a “apertá-los com mais força”.
A denúncia afirma ainda que Flores participou de uma reunião sobre o plano, concordou com a iniciativa e rejeitou uma alternativa que previa infiltrar agentes nas fileiras dos suspeitos para obter informações.
Maduro e Flores, porém, não são acusados de terem praticado pessoalmente atos de tortura. As acusações dizem respeito à suposta participação dos dois em uma conspiração.
Julgamento está previsto para 2027
O julgamento está previsto para começar em 1º de junho de 2027. Caso sejam condenados por todas as acusações, Maduro e Flores poderão enfrentar uma pena mínima obrigatória de 50 anos de prisão.
O casal foi capturado por forças militares dos Estados Unidos em uma operação realizada em 3 de janeiro, em Caracas, por ordem do presidente americano Donald Trump. Na ocasião, os dois foram levados a Nova York para responder às acusações de tráfico de drogas anunciadas naquele mesmo dia.
Desde então, permanecem detidos no Centro Metropolitano de Detenção, no Brooklyn, em Nova York.
Relações entre Venezuela e Estados Unidos
As relações entre Maduro, que governou a Venezuela por 13 anos, e os Estados Unidos foram marcadas por tensões durante seu período no poder. Governos americanos impuseram sanções a autoridades venezuelanas e a empresas estatais, citando acusações de violações de direitos humanos, corrupção e fraudes eleitorais.
Maduro, por sua vez, acusava Washington de tentar removê-lo do poder para ampliar o controle sobre os recursos naturais da Venezuela, país com grandes reservas de petróleo.
Após a captura do ex-presidente, sua então vice, Delcy Rodríguez, assumiu a liderança venezuelana e ampliou a cooperação com os Estados Unidos.
Trump tem apresentado a operação e a reaproximação entre os dois países como conquistas de sua política externa antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, quando os republicanos tentarão manter o controle do Congresso.
