Deputados e senadores da oposição, em sua maioria do Partido Liberal (PL), passaram a madrugada desta quarta-feira (6) nos plenários da Câmara e do Senado, mantendo a ocupação das mesas diretoras e impedindo a retomada dos trabalhos legislativos. A ação é um protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes na segunda-feira (4).
Por volta das 6h da manhã, houve revezamento entre os parlamentares que passaram a noite no Congresso Nacional. Entre os que participaram do ato está o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou, nas redes sociais, que a ocupação visa pressionar pela votação de pautas como a anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado e o pedido de impeachment do ministro do STF.
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A base governista criticou a ação, comparando-a aos atos de 8 de janeiro de 2023. Para o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), trata-se de uma “chantagem” para evitar punições a Bolsonaro. Ele também afirmou que a paralisação afeta a votação de projetos de interesse da população, como a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até dois salários mínimos.
O projeto, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na terça-feira (5), substitui a MP 1.294/2025, editada pelo governo federal. Outra proposta na fila de votação prevê isenção para quem ganha até R$ 5 mil.
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcaram reuniões de líderes ainda nesta quarta-feira para discutir a situação.
Sem fazer críticas diretas à oposição, Motta cancelou a sessão de terça-feira e defendeu o diálogo. “O Parlamento deve ser a ponte para o entendimento”, publicou. Já Alcolumbre classificou a ocupação como “inusitada” e “alheia aos princípios democráticos”. Em nota, fez um apelo ao bom senso e disse que busca a retomada das atividades legislativas regulares.