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MANAUS

Presídios de Manaus operam com até 167% acima da capacidade, aponta CNJ

Situação crítica expõe violações de direitos e falta de condições dignas para detentos

Foto: Divulgação/Seap

Manaus/AM – Os presídios da capital amazonense enfrentam um cenário alarmante de superlotação, segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A situação mais grave ocorre na Unidade Prisional do Puraquequara, que abriga 1.108 detentos em um espaço projetado para apenas 621 vagas, atingindo uma taxa de ocupação de 167%. Do total, 56% dos presos estão em prisão preventiva.

Outro destaque é o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), que apresenta ocupação de 112%, com 989 internos para uma capacidade de 878.

A Lei de Execução Penal determina que os presídios brasileiros devem respeitar sua capacidade máxima, assegurando condições dignas para o cumprimento das penas. No entanto, a realidade das unidades prisionais do Amazonas contraria essa diretriz. Procurada, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) não respondeu sobre medidas para corrigir os problemas apontados pelo CNJ.

Violações de direitos

Para a advogada Doracy Queiroz de Oliveira Neta, da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), o quadro representa uma grave violação de direitos fundamentais. “A superlotação e a ausência de condições adequadas configuram uma afronta direta à dignidade da pessoa humana e ao cumprimento da Lei de Execução Penal. É urgente que o Estado assuma sua responsabilidade”, afirmou.

Dados do CNJ mostram ainda que a maioria dos presos possui baixa escolaridade e que 911 se declaram pardos, 87 pretos, 67 brancos e 10 amarelos. Nos últimos seis meses, foram registradas duas mortes por suicídio e outras por causas naturais.

Situação em outras unidades

  • CDP I: 1.271 presos para 766 vagas (165,9% de ocupação).
  • CDP II: 1.033 internos para 667 vagas (154,9%).
  • CDP Feminino: 192 detentas para 198 vagas (97%).
  • Enfermaria Psiquiátrica de Manaus: 8 internos para 26 vagas (abaixo da capacidade).

Interior do Amazonas

A superlotação também preocupa fora da capital:

  • Coari: 168 presos para 116 vagas (45% acima da capacidade).
  • Itacoatiara: 149 detentos para 144 vagas (103,5%).
  • Tefé: 227 presos para 125 vagas (181,6%).

Delegacias do interior enfrentam cenário ainda mais crítico:

  • Codajás (78ª Delegacia): 188% de ocupação.
  • Beruri (80ª Delegacia): 22 presos em apenas 8 vagas (275%).

Fonte: AM POST

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