Essa é uma história chocante que aconteceu aqui no Brasil no final da década de 70. E o pior é que hoje em dia, com o discurso de ódio contra as mulheres, proferido por homens violentos e inseguros, essas histórias continuam acontecendo.
Ângela Diniz tinha 17 anos quando se casou com um homem bem mais velho. Mas ela não queria aquela vida de mulher dependente e submissa. Num ato de coragem, ela desafia a sociedade conservadora de Minas Gerais, se separa do marido e se muda para o Rio de Janeiro.
Numa grande atuação de Marjorie Estiano, Ângela começa a viver muito intensamente. Faz amigos, namorados, frequenta festas, e fica conhecida como a Pantera de Minas. Enquanto faz planos para se estabelecer na Cidade Maravilhosa, entra em uma batalha judicial pela guarda de sua filha.
Até que ela conhece Doca Street, um playboy casado com uma outra socialite. O casal se apaixona e tem uma relação bastante conturbada que culmina no assassinato de Ângela. Num julgamento para lá de surreal, Doca Street alega legítima defesa da honra e pega uma pena ridícula.
Eu sou honesto em admitir o incômodo com dois comportamentos específicos de Ângela Diniz: ela ter casos com homens casados, e não trabalhar. É claro que isso não justifica um feminicídio. Mas é aí que a série pega a gente, principalmente os homens.
Com certeza muitos ficaram incomodados por ela viver uma vida livre, não se submetendo ao controle de nenhum homem, admitindo que gostava de sexo, com homens e mulheres, e eventualmente fazendo uso de entorpecentes.
Pois é isso que o advogado de defesa usa, para justificar o injustificável. Chamando a vítima de prostituta da Babilônia. Colocando a Ângela no papel de culpada. O que ainda é muito comum para justificar a violência contra as mulheres.
Felizmente num outro tribunal, Doca foi condenado a 15 anos de prisão. A série termina com uma cena emocionante das amigas de Ângela, vividas por Camila Márdila e Renata Gaspar, fazendo uma manifestação, citando várias mulheres também vítimas de feminicídio.
E essa mobilização precisa continuar, pois de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada 6 horas uma mulher é morta no Brasil. Os 6 episódios que contam essa história já estão disponíveis na HBO Max.
Assista o vídeo: https://www.instagram.com/p/DSdTVp5j8iA/
