Brasília (DF) – 10/03/2026 – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento indicado para o tratamento de crises focais em adultos com epilepsia farmacorresistente. O fármaco, chamado Xcopri (cenobamato), foi desenvolvido pela Momenta Farmacêutica e representa uma nova alternativa para pacientes que não respondem adequadamente aos tratamentos convencionais.
A epilepsia farmacorresistente ocorre quando o paciente continua apresentando crises mesmo após o uso de pelo menos dois medicamentos diferentes, condição que atinge cerca de 30% das pessoas com epilepsia. O cenobamato atua reduzindo a atividade elétrica anormal no cérebro, diminuindo a frequência das crises.
Segundo a Anvisa, os estudos clínicos demonstraram resultados expressivos. Entre os pacientes que utilizaram 100 mg por dia, quatro em cada dez apresentaram redução de pelo menos 50% das crises. Já entre aqueles que receberam 400 mg diários, o índice de resposta chegou a 64%. No grupo que recebeu placebo, a redução foi de 26%.
Apesar da aprovação do registro, o medicamento ainda não pode ser comercializado. A venda depende da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A eventual disponibilização pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também dependerá de avaliação da Conitec e de decisão do Ministério da Saúde.
Sobre a epilepsia
A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por alterações temporárias e reversíveis no funcionamento do cérebro, não associadas a febre, uso de drogas ou distúrbios metabólicos. As crises podem ser parciais, quando afetam apenas uma região do cérebro, ou generalizadas, quando envolvem ambos os hemisférios.
O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em exame físico, histórico detalhado do paciente e, quando possível, no relato de testemunhas que presenciaram as crises. Informações como presença de aura, fatores desencadeantes, idade de início e frequência das crises são fundamentais para a avaliação médica.
Março Roxo
A aprovação do novo medicamento ocorre durante o Março Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a epilepsia, que inclui o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, celebrado em 26 de março. A campanha busca combater o estigma, promover informação e incentivar o diagnóstico e tratamento adequados.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 65 milhões de pessoas convivem com epilepsia no mundo. No Brasil, são mais de 2 milhões, muitas das quais enfrentam não apenas dificuldades no tratamento, mas também preconceito e desinformação.
Especialistas destacam que o novo medicamento representa um avanço relevante, especialmente para pacientes com epilepsia de difícil controle, ampliando as possibilidades de melhora na qualidade de vida.
Fonte: D24AM / Agência Brasil
