Brasília (DF), 24/04/2026 – Uma declaração do enviado especial do governo Donald Trump, Paolo Zampolli, provocou uma forte reação do governo brasileiro e de entidades de direitos humanos nesta sexta-feira (24). Em entrevista à rádio italiana RAI, o conselheiro afirmou que as mulheres brasileiras são uma “raça maldita” e que seriam “programadas para causar confusão”.
A primeira-dama, Janja Lula da Silva, classificou as falas como inaceitáveis. “É impossível não se indignar. Não somos programadas para nada. Somos pessoas com voz e lutamos diariamente para viver com dignidade”, afirmou. O Ministério das Mulheres também se manifestou, reforçando que misoginia não é opinião, mas sim uma prática criminosa que incita a violência.
Histórico de abusos e influência política
Paolo Zampolli foi casado por quase 20 anos com a brasileira Amanda Ungaro, a quem ele agora acusa e disputa a guarda do filho nos tribunais americanos. Amanda, por sua vez, acusa o ex-marido de violência doméstica, abuso sexual e psicológico.
O caso ganhou repercussão internacional após o jornal The New York Times revelar que Zampolli teria usado seu prestígio na Casa Branca para influenciar a deportação de Amanda para o Brasil em 2025. Segundo a reportagem, ele teria acionado o Serviço de Imigração (ICE) para garantir que a ex-mulher permanecesse presa e fosse enviada ao Brasil sem direito a fiança, após uma detenção por suposta fraude laboral.
Tensão diplomática
As falas de Zampolli, que é figura próxima ao presidente Donald Trump, acirram a tensão entre os dois países no campo dos direitos civis. Enquanto o Departamento de Segurança Interna dos EUA nega motivações políticas na deportação de Amanda, o governo brasileiro subiu o tom contra o que chamou de “discurso de ódio e desvalorização das mulheres”.
Atualmente, Amanda Ungaro vive no Brasil e tenta, através da justiça internacional, reaver o convívio com o filho, alegando ter sido vítima de uma armadilha política armada pelo ex-companheiro.
Fonte: G1 / The New York Times
