Está chegando às telas o grande vencedor do Festival de Gramado de 2025, filme de Cuiabá, Mato Grosso, que foi aplaudido de pé por pelo menos 5 minutos. São cinco protagonistas e cinco tipos de medo: de médico, de lugares fechados, da solidão, de ficar sem dinheiro e medo da morte.
Todos os protagonistas estão vivendo alguma perda significativa. Com essa abordagem o tema do filme torna-se universal. Inevitavelmente vamos nos identificar com alguma situação do roteiro. Este muito bem elaborado, surpreendente, e sem nenhum furo. Apresenta alguns acasos, coincidências. Nada diferente da vida, que é feita de acasos, coincidências e acontecimentos bastante estranhos.
João Vitor Silva, que também atuou em O Agente Secreto, interpreta Murilo. Ainda abalado com a morte da mãe, ele começa a se envolver com Marlene, interpretada por Bella Campos, que gravou o filme antes de fazer muito sucesso com a personagem Maria de Fátima em Vale Tudo.
Murilo e Marlene se envolvem por se sentirem deslocados naquela cidade, naquele momento, tanto que eles querem ir embora dali. Marlene mora na periferia, num lugar violento dominado por Sapinho, vivido por Xamã, um traficante perigoso que se acha dono da sua namorada, a Marlene.
O Sapinho vai preso, mas por ser bem visto por proteger sua comunidade, os moradores fazem uma rifa para pagar um advogado e tirá-lo da cadeia. O mais impressionante é esse fato ser verídico, e ter servido como inspiração inicial para a escrita do roteiro.
Rui Ricardo Diaz, faz o papel do advogado, ele também passa por um drama pessoal que não irei revelar para não estragar a experiência de ver o filme. Mas se trata de um evento que envolve os cinco protagonistas.
Por fim, Bárbara Colen é uma policial que também sofre uma perda que envolve outro personagem já citado. Mais exemplos de um roteiro muito bem costurado. A narrativa vai e volta no tempo mudando de ponto de vista de forma orgânica, precisa. As cinco tramas se entrelaçam e se complementam. Também chama atenção a relação existente entre a primeira e a última cena do filme.
O diretor e roteirista Bruno Bini, entrevistado durante o Festival de Gramado, destaca outro aspecto importante:
“É uma narrativa não linear, mas eu acho que a costura foi muito boa e a montagem ajuda. A montagem foi um elemento fundamental para a construção da compreensão, e o elenco também.”
Com ótimas atuações de um elenco que ainda conta com Jonathan Haagensen, Rejane Faria, Zé Carlos Machado, Luiz Bertazzo, Rodrigo Fernandes e Luana Tanaka, Cinco Tipos de Medo, estreou dia 9 de abril nos cinemas. Você devia ter medo é de perder esse filme.
