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Clamor por justiça: mãe de jovem morto em ação policial no Alvorada faz desabafo; “Me tiraram meu bem mais precioso”

Carlos André, de 19 anos, foi atingido no tórax durante abordagem na madrugada; família afirma que vítima era autista e não tinha antecedentes

(Foto: Paulo Bindá)

Manaus (AM), 20/04/2026 – “Me tiraram meu bem mais precioso, que era meu filho. Eu quero justiça”. O grito de dor de Eliane dos Santos Almeida ecoou durante o velório do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, morto na madrugada deste domingo (19). O crime ocorreu durante uma abordagem da Polícia Militar na rua E, no bairro Alvorada 1, zona Centro-Oeste de Manaus, e abriu uma ferida profunda em uma família que busca respostas para o que classifica como “crueldade”.

Carlos André foi atingido por um tiro no tórax por volta das 5h da manhã. Segundo a mãe, o jovem nunca teve envolvimento com o crime e possuía um comportamento peculiar, que a família já investigava como sendo parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Eliane dos Santos Almeida, mãe do jovem Carlos André

O nervosismo e as mãos para o alto

Eliane descreveu com detalhes o que seriam os últimos momentos de vida do filho. Para ela, a condição de saúde do jovem foi ignorada pelos agentes no momento da abordagem. “Ele já desce com a mãozinha dele para cima, pulando de tão nervoso, porque ele era assim. Até quando eu ia repreendê-lo, ele levantava as mãos quando ficava nervoso”, relatou emocionada.

A mãe sustenta que o filho foi vítima de uma ação desmedida. “Não consegui tirar o laudo dele, mas meu filho era autista e eles fizeram tamanha crueldade, sem ele ter cometido nenhum crime”, lamentou, reafirmando que a gesticulação do jovem era uma reação ao estresse da abordagem e não uma ameaça aos policiais.

Questionamentos sobre a arma do crime

A indignação da família também se volta para os instrumentos da ação policial. Segurando um cartucho deflagrado que teria sido recolhido no local, Eliane questionou a origem da arma utilizada no disparo. “A arma era do uso próprio irregular deles. Não sei qual a intenção de andar com uma arma que não é do trabalho e que não tem registro. Isso daí é andar com maldade. Quantas vidas não foram ceifadas por eles sem ter prova?”, indagou.

Eliane dos Santos Almeida segurando um cartucho deflagrado, supostamente do início da perseguição que culminou na morte de Carlos André.

Prisão e investigação

O principal suspeito do disparo é o 3° sargento B. Wellington, da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Segundo informações oficiais, o militar foi autuado em flagrante e encaminhado ao Núcleo Prisional da Polícia Militar.

O caso agora está sob a responsabilidade da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Enquanto as investigações avançam, Eliane pede que o nome de Carlos André não seja apenas mais um número nas estatísticas da letalidade policial em Manaus, mas sim o ponto de partida para uma punição rigorosa.

Fonte: A Crítica

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