Os coronavírus continuam representando uma ameaça à saúde global e podem estar entre os vírus capazes de provocar novas epidemias no futuro. A avaliação consta em uma revisão científica publicada na revista The Lancet Respiratory Medicine, que reúne informações sobre os principais coronavírus que infectam seres humanos.
Antes da pandemia de Covid-19, esses vírus eram conhecidos principalmente por causar infecções respiratórias leves, como o resfriado comum. Nas últimas décadas, porém, agentes como SARS-CoV, MERS-CoV e SARS-CoV-2 provocaram surtos de maior gravidade e, no caso do último, uma pandemia.
Os três vírus continuam entre os patógenos considerados prioritários para pesquisa pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Como novos coronavírus podem surgir
A revisão científica aborda o processo pelo qual coronavírus presentes em animais podem passar para seres humanos e sofrer alterações que favorecem sua transmissão entre pessoas.
As infecções provocadas por esses vírus apresentam diferentes níveis de gravidade. Em alguns casos, podem não causar sintomas, enquanto em outros evoluem para pneumonias graves e complicações que afetam diferentes órgãos.
Segundo os pesquisadores, a capacidade de adaptação desses vírus reforça a necessidade de acompanhar continuamente sua circulação em populações humanas e animais.
Vigilância é considerada essencial
Uma das principais lições deixadas pela pandemia de Covid-19, segundo a revisão, é a importância de identificar rapidamente novos coronavírus com potencial de transmissão entre pessoas.
Os autores destacam a necessidade de fortalecer sistemas de vigilância, principalmente em regiões que enfrentam limitações de recursos para monitoramento e resposta a emergências sanitárias.
A preparação também envolve investimentos contínuos em pesquisa, vacinas e medicamentos, além da criação de redes internacionais capazes de compartilhar informações e detectar novos riscos.
Integração entre saúde humana, animal e ambiental
Os pesquisadores defendem ainda uma abordagem integrada entre a saúde humana, animal e ambiental para acompanhar os vírus que podem representar risco de transmissão entre espécies.
De acordo com a revisão, manter estruturas permanentes de monitoramento e preparação pode permitir uma resposta mais rápida caso novos coronavírus com potencial de disseminação sejam identificados.
O estudo foi publicado na The Lancet Respiratory Medicine e está disponível pelo DOI 10.1016/S2213-2600(26)00049-4.
