Manaus (AM), 25/03/2026 — A Defensoria Pública do Estado do Amazonas reforçou a orientação para que mulheres vítimas de violência digital procurem ajuda e denunciem os casos. O alerta ocorre em meio ao aumento de episódios de ameaças, xingamentos, perseguição virtual e vazamento de fotos íntimas, situações impulsionadas pelo crescimento de discursos de ódio e misoginia na internet.
Segundo a última Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado, cerca de 8,8 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência digital em 2025. A maior parte dos casos está relacionada ao envio de mensagens ofensivas e ameaçadoras.
Nudem oferece apoio gratuito e especializado
Desde 2024, a Defensoria mantém em Manaus o Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, com assistência jurídica, social e psicológica gratuita para vítimas de diferentes tipos de violência.
De acordo com a coordenação do núcleo, a violência online atinge mulheres de diversas formas, mas tem como foco principal constranger, silenciar e intimidar as vítimas. A orientação é que mulheres que estejam passando por esse tipo de situação procurem o serviço para receber acolhimento e encaminhamento adequado.
Perseguição virtual é um dos casos mais frequentes
Entre os principais tipos de violência praticados no ambiente digital está a perseguição, conhecida como stalking. Nesses casos, o agressor monitora a rotina da vítima, cria perfis falsos, insiste em contatos por aplicativos e redes sociais e, em algumas situações, amplia a perseguição para o mundo físico com base em informações compartilhadas online.
Também são recorrentes casos de assédio online, com comentários ofensivos, mensagens insistentes, humilhações públicas e intimidações de cunho sexual ou psicológico. Outro tipo grave é a extorsão sexual, quando o agressor ameaça divulgar ou efetivamente expõe fotos e vídeos íntimos da vítima.
Movimento misógino preocupa e amplia debate
A Defensoria também chama atenção para a influência de comunidades misóginas organizadas na internet, que reforçam discursos de submissão feminina, hostilidade às mulheres e incentivo à agressividade. Segundo a avaliação do núcleo, esse ambiente tem contribuído para a ampliação de casos de violência online, especialmente entre adolescentes e jovens.
A preocupação é que esse tipo de conteúdo funcione como estímulo para práticas de intimidação, humilhação e perseguição contra mulheres, exigindo respostas mais firmes das autoridades e maior conscientização da população.
Como e onde buscar ajuda
Mulheres vítimas de qualquer tipo de violência podem procurar uma das unidades da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher para registrar boletim de ocorrência. A formalização da denúncia é importante para ativar a rede de proteção e permitir a apuração oficial dos fatos.
Mesmo sem boletim de ocorrência, também é possível procurar diretamente o Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, que orienta sobre os procedimentos legais e acompanha os casos.
O núcleo funciona na Avenida André Araújo, nº 7, bairro Adrianópolis, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. O agendamento pode ser feito presencialmente, pelo Disk 129 ou pelo WhatsApp da Defensoria, no número (92) 98559-1599.
Fonte: D24am
