Brasil, 20/03/2026 — O ensino superior brasileiro voltou a crescer entre 2023 e 2024 e alcançou 10,23 milhões de matrículas. No mesmo período, a educação a distância passou, pela primeira vez na série histórica, a concentrar mais alunos do que o ensino presencial, com 50,7% das matrículas no país.
O avanço foi de 2,5%, segundo a 16ª edição do Mapa do Ensino Superior, divulgada em 19 de março pelo Instituto Semesp com base em dados do Inep/MEC. O levantamento também mostra que a rede privada segue dominante e concentra 79,8% dos estudantes do ensino superior.
Ensino superior avança com liderança do EAD
O crescimento das matrículas ocorre em um cenário de mudança no perfil da graduação no país. Em 2024, o EAD respondeu por 50,7% do total de estudantes, enquanto o ensino presencial ficou com 49,3%.
Apesar da liderança, o ritmo de expansão da modalidade a distância perdeu força em relação aos anos posteriores à pandemia. O Semesp aponta que o EAD avançou 5,6% em 2024, enquanto o ensino presencial registrou queda discreta de 0,5% nas matrículas.
O estudo também reforça a concentração do sistema na iniciativa privada. Oito em cada dez estudantes do ensino superior estão em faculdades ou centros universitários privados.
Ensino superior enfrenta evasão alta, sobretudo no EAD
Se o número de ingressantes voltou a subir, a permanência dos alunos segue como um dos principais desafios do setor. Em 2024, um em cada quatro estudantes da rede pública abandonou o curso, enquanto, na rede privada, a proporção chegou a dois em cada cinco alunos.
No recorte por modalidade, a evasão foi mais alta no ensino a distância. A taxa de abandono no EAD chegou a 41,6%, quase o dobro do índice observado no ensino presencial, que ficou em 24,8%.
A diferença também aparece quando os dados são separados por rede. Nos cursos EAD, a evasão atingiu 41,9% na rede privada e 32,2% na rede pública. Nos presenciais, os percentuais foram de 26,6% e 21,4%, respectivamente.
A evasão no EAD em 2024 foi a maior da série histórica iniciada em 2014. Já o ensino presencial mostrou recuo em relação a 2020, quando a taxa chegou a 28,5%, antes de cair para 24,8% em 2024.
O estudo considera evasão como a saída do estudante antes da conclusão da graduação, sem diploma, por abandono ou desistência formal. A leitura do setor é que o modelo com maior peso de atividades assíncronas exige mais autonomia do aluno e ajuda a explicar parte da taxa mais elevada na modalidade a distância.
Evasão no ensino superior em 2024
- EAD (total): 41,6% de abandono.
- Presencial (total): 24,8% de abandono.
- EAD privado: 41,9% de evasão.
- EAD público: 32,2% de evasão.
- Presencial privado: 26,6% de evasão.
- Presencial público: 21,4% de evasão.
Indicadores de trajetória mostram baixa conclusão
O acompanhamento dos estudantes que ingressaram em 2020 reforça o problema da permanência. Na rede privada, apenas 23,6% dos alunos de EAD concluíram a graduação em quatro anos, enquanto 68,1% desistiram no período.
Nos cursos presenciais privados, 27,8% concluíram a graduação no mesmo intervalo, e 59,7% abandonaram os estudos. Na rede pública, a evasão acumulada entre 2020 e 2024 foi de 48% no EAD e de 45,9% no presencial.
O perfil do estudante ajuda a explicar parte desse movimento. A expansão do EAD passou a absorver com mais força alunos que conciliam trabalho, renda e estudos, público que antes dependia majoritariamente do ensino presencial noturno.
Cursos mais procurados no ensino superior
Entre os cursos de EAD da rede privada, os mais procurados entre 2023 e 2024 foram Pedagogia, Enfermagem e Administração. Na rede pública, os destaques foram Educação Física, Matemática e Letras.
Nos cursos presenciais da rede privada, a maior demanda ficou com Direito, Enfermagem e Psicologia. Já na rede pública, os cursos mais procurados foram Pedagogia, História e Letras.
O que os dados mostram para o setor
Os números indicam que o ensino superior voltou a crescer, mas em ritmo mais moderado. Ao mesmo tempo, a liderança do EAD e os índices elevados de evasão mostram que o desafio do setor não está apenas em ampliar o acesso, mas em garantir a permanência do aluno até a conclusão do curso.
A leitura do relatório aponta um sistema mais dependente da rede privada, com expansão concentrada no ensino a distância e pressão crescente sobre qualidade e retenção. Nesse cenário, a evasão segue como um dos principais indicadores de fragilidade do ensino superior brasileiro.
Fonte: Agência Brasil / Acrítica
