SELVA registrou concentração de até 490,1 µg/m³ de partículas finas durante a madrugada, mais de 32 vezes acima da referência da OMS para PM2,5
Manaus amanheceu nesta quinta-feira (8) com uma das piores condições de qualidade do ar registradas neste ano. A fumaça tomou diferentes áreas da capital desde a noite de quarta-feira (7), deixando o céu esbranquiçado, reduzindo a visibilidade e provocando forte cheiro de queimado.
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou durante a madrugada concentração de até 490,1 microgramas de partículas finas PM2,5 por metro cúbico.
O índice representa um aumento de 71% em relação ao pior resultado registrado anteriormente em 2026 e levou a qualidade do ar à classificação “péssima”. A concentração também ficou mais de 32 vezes acima dos 15 µg/m³ utilizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como referência para a média de 24 horas de PM2,5.
Fumaça se espalha por diferentes regiões
O agravamento da qualidade do ar ocorreu principalmente durante a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta. Imagens registradas por moradores mostraram uma camada de fumaça sobre Manaus, com aspecto esbranquiçado provocado pela concentração de poluentes.
Além do pico de 490,1 µg/m³, o SELVA registrou concentrações de 485,1 µg/m³, 393,1 µg/m³, 354,3 µg/m³ e 341,4 µg/m³ em outros pontos da capital nas primeiras horas da manhã.
Das 15 estações apresentadas no mapa ambiental, 11 estavam na classificação “péssima”.
Entre os pontos com registros elevados estavam Armando Mendes/Coroado, com 199,6 µg/m³, e Puraquequara, com 188,1 µg/m³.
Também foram classificados como “péssimos” os pontos de Morro da Liberdade/Educandos (147,5 µg/m³), Chapada/Parque 10 (143,8 µg/m³), São Jorge/Compensa (141,5 µg/m³) e Distrito Industrial I/Crespo (139,3 µg/m³).
Ainda segundo o monitoramento, foram registrados níveis “péssimos” em Zumbi dos Palmares/Distrito Industrial II (137,7 µg/m³), Coroado (137,4 µg/m³), Nossa Senhora das Graças/Petrópolis (133,9 µg/m³), Coroado/Armando Mendes (131,1 µg/m³) e Aparecida/Centro (125 µg/m³).
Incêndios e focos de calor
O aumento da concentração de poluentes ocorre em meio ao avanço dos focos de calor no Amazonas. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam 554 focos registrados nos primeiros dias de outubro, o dobro do observado no mesmo período de 2025.
A presença de incêndios urbanos e queimadas no interior, somada às condições atmosféricas, pode favorecer a concentração de poluentes e a permanência da fumaça sobre a capital.
Riscos das partículas PM2,5
As partículas PM2,5 têm tamanho reduzido e podem penetrar profundamente no sistema respiratório. Em concentrações elevadas, a exposição pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse, coriza, dor de cabeça, tontura, chiado no peito e falta de ar.
A presença desses poluentes também pode agravar problemas respiratórios já existentes.
Orientações à população
Durante os períodos de maior concentração de poluentes, a recomendação é evitar atividades físicas ao ar livre, como corrida, caminhada e ciclismo. Também é indicado manter a hidratação e proteger os olhos e o nariz.
Quando a exposição for inevitável, máscaras adequadas, como as do tipo N95, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas finas.
Em caso de sintomas leves, a orientação é procurar uma unidade básica de saúde. Se houver sintomas mais intensos ou dificuldade para respirar, a recomendação é buscar atendimento de urgência. Em situações de emergência, o Samu deve ser acionado pelo 192.
A população também pode denunciar queimadas e ocorrências ambientais à Guarda Municipal pelo 153. Ao fazer a denúncia, é importante informar o endereço completo, o horário da ocorrência e, quando possível, enviar imagens do local.
