Manaus amanheceu nesta quarta-feira (23) coberta por fumaça e com um dos piores índices de qualidade do ar registrados no Amazonas em 2026. Por volta das 5h, um sensor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), na região entre o Distrito Industrial e a Vila Buriti, marcou 551,2 µg/m³, classificação considerada péssima.
O índice foi registrado pelo aplicativo Selva, ferramenta da UEA que monitora a qualidade do ar em diferentes pontos da capital. Das 11 estações mantidas pela universidade, oito indicaram condições péssimas. Em três delas, os níveis ultrapassaram 200 µg/m³, faixa considerada de risco elevado à saúde.
A fumaça reduziu a visibilidade em diferentes áreas de Manaus e foi percebida dentro de residências. Moradores também relataram sintomas como dificuldade para respirar e irritação nos olhos.
A piora da qualidade do ar ocorre em meio ao avanço das queimadas no estado. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam mais de 5,2 mil focos de incêndio no Amazonas em 2026.
O número representa um aumento de mais de 15% em relação a todo o ano de 2025, quando foram registrados 4.545 focos.
O Sul do Amazonas concentra parte importante das ocorrências. Apuí aparece como o município com mais focos no estado, com 944 registros, ocupando a terceira posição no ranking nacional. Novo Aripuanã também aparece entre os municípios com maior número de ocorrências, com 641 focos.
Manaus registrou maior temperatura do ano
Além da fumaça, o calor contribuiu para piorar as condições ambientais na capital.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Manaus registrou 38,6°C na terça-feira (22), maior temperatura do ano na cidade até então. No Aeroporto de Manaus, os termômetros passaram dos 39°C.
A combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade e concentração de fumaça aumenta os riscos à saúde, principalmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
A recomendação é evitar permanecer por longos períodos ao ar livre, manter portas e janelas fechadas e procurar atendimento médico diante de sintomas como falta de ar, tosse persistente ou irritação nas vias respiratórias.
