Brasília, 20/01/2026 — Uma idosa de 75 anos, identificada como Miranilde Pereira da Silva, morreu após sofrer uma série de aplicações de desinfetante enquanto estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). O caso, ocorrido em 17 de novembro de 2025, integra a lista de mortes investigadas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) no âmbito da Operação Anúbis.
Segundo o delegado Wisllei Salomão, responsável pela investigação, Miranilde teria recebido o produto ao menos dez vezes. A polícia aponta que os crimes teriam sido cometidos por três técnicos de enfermagem: Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva.
Trajetória da vítima
Professora aposentada, Miranilde atuava na Regional de Ensino de Ceilândia, como professora de atividades na Escola Classe 3. Em nota, o Sindicato dos Professores (Sinpro) destacou sua dedicação à escola pública e o impacto de seu trabalho na vida de alunos e colegas. Ela deixou três filhos, uma filha, duas netas e cinco netos.
Outras vítimas identificadas
Além de Miranilde, outras mortes estão sob investigação:
- Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, servidor dos Correios e morador de Brazlândia (DF). Ele deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. Deixou uma filha de 5 anos. O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do DF e Região do Entorno (Sindect-DF) lamentou sua morte em nota pública. A esposa relatou que o servidor chegou ao hospital consciente e conversando normalmente com a equipe médica, e a família foi surpreendida pela notícia.
- João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb. Diagnosticado com um coágulo no crânio, passou por cirurgia e apresentou complicações pulmonares relacionadas à intubação, mas chegou a mostrar melhora. Em 18 de novembro de 2025, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. João se aposentaria em dois anos e deixou esposa, dois filhos e um neto.
Operação Anúbis
A investigação faz parte da Operação Anúbis, deflagrada em 11 de janeiro de 2026, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE).
- Primeira fase: dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do DF.
- Segunda fase: realizada em 15 de janeiro, resultou em mais uma prisão temporária e na apreensão de novos dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
A Polícia Civil agora investiga pelo menos 20 outros atestados de óbito registrados em hospitais do Distrito Federal, para apurar possível ligação com o mesmo padrão criminoso.
Repercussão
O caso gerou comoção entre familiares, sindicatos e a comunidade escolar. As entidades destacaram a trajetória das vítimas e cobraram rigor na apuração. A PCDF reforçou que todas as informações coletadas estão sendo analisadas e que novas fases da operação podem ser deflagradas nos próximos dias.
Fonte: CM7 Brasil
