A responsável pela área atingida por um incêndio no Distrito Industrial 2, na zona Leste de Manaus, foi multada em R$ 5,55 milhões pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O auto de infração foi lavrado nesta quarta-feira (7), após uma fiscalização identificar pneus, plásticos e materiais com resíduos de óleo e tinta no terreno.
O incêndio começou por volta das 15h de terça-feira (6), em um terreno localizado na Avenida dos Oitis. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), as chamas atingiram mais de 15 mil metros quadrados nesta quarta-feira.
A área possuía uma licença ambiental emitida pelo próprio Ipaam, em abril deste ano, para funcionar como aterro de resíduos inertes da construção civil. De acordo com o órgão, os materiais encontrados durante a fiscalização não estavam previstos nas condições da licença.
O Ipaam não informou o nome da pessoa ou empresa responsável pela área.
Fiscalização identifica materiais fora da licença
Equipes do Ipaam utilizaram um drone para verificar o terreno, que ainda apresentava focos de incêndio e muita fumaça.
O instituto identificou inicialmente poluição atmosférica causada pela queima dos materiais. Também será avaliada a possibilidade de outros impactos ambientais, como contaminação do solo e da água subterrânea.
O auto de infração enquadrou a ocorrência como poluição atmosférica provocada pelo uso do fogo. A responsável pela área terá 20 dias para apresentar defesa administrativa ou pagar a multa.
Segundo o Ipaam, os valores arrecadados com as multas são destinados ao Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema).
Fogo continua após mais de 24 horas
Mais de 24 horas após o início do incêndio, equipes do Corpo de Bombeiros continuavam no local nesta quarta-feira para combater os focos remanescentes.
O fogo apresentava menor intensidade, mas uma grande quantidade de fumaça permanecia concentrada sobre a área. Caminhões também foram utilizados para despejar barro sobre pontos com focos de incêndio, como parte da estratégia para reduzir as chamas.
Segundo os bombeiros, o combate poderia durar entre 24 e 48 horas devido à quantidade de resíduos no terreno. Até a manhã de quarta-feira, mais de 150 mil litros de água haviam sido utilizados na operação, que contou ainda com brigadistas e apoio de empresas da região.
Fumaça piora qualidade do ar em Manaus
A fumaça provocada pelo incêndio também contribuiu para a piora da qualidade do ar em Manaus.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicaram classificação “péssima” em quatro pontos monitorados na cidade por volta das 19h desta quarta-feira.
O sistema registrava ainda oito pontos com qualidade do ar “muito ruim”, um “ruim” e um com índice “moderado”. Entre as áreas com os piores registros estavam Compensa, Centro, Petrópolis e Morro da Liberdade.
Suframa acompanha ocorrência
A Suframa informou que acompanha desde a tarde de terça-feira (6) o incêndio registrado em uma área do Distrito Industrial 2, na zona Leste de Manaus.
Segundo a autarquia, representantes estiveram no local para verificar a situação e acompanhar a atuação dos órgãos responsáveis pelo combate às chamas, pela segurança e pelo controle da área. A Suframa também mantém contato com as instituições envolvidas na ocorrência.
A prioridade, segundo a Superintendência, é a preservação da vida e a segurança das pessoas, além do acompanhamento de possíveis impactos sobre empresas instaladas na região, trabalhadores, moradores do entorno e o funcionamento do Distrito Industrial.
A apuração das causas do incêndio e as informações técnicas sobre a ocorrência são de responsabilidade dos órgãos competentes.
