Spartanburg (EUA) – 18/02/2026 – Clínicas pediátricas da Carolina do Sul passaram a atender pacientes diretamente nos carros para reduzir o risco de transmissão durante o maior surto de sarampo registrado nos Estados Unidos em mais de 30 anos. A medida, adotada pela Parkside Pediatrics em Spartanburg, busca evitar que o vírus altamente contagioso chegue às salas de espera, onde há bebês e crianças ainda sem vacinação completa.

O protocolo foi iniciado pelo pediatra Justin Moll em dezembro, quando os primeiros casos começaram a se multiplicar. Desde então, a equipe médica tem realizado de 10 a 12 triagens diárias no estacionamento da clínica. Cerca de 50 pacientes com sarampo já foram atendidos apenas nessa unidade desde o início do surto, em outubro.
Segundo autoridades estaduais de saúde, a Carolina do Sul contabiliza mais de 930 casos confirmados de sarampo, com pelo menos 20 hospitalizações. Nenhuma morte foi registrada até o momento.

Profissionais relatam que surtos como esse estão se tornando mais frequentes à medida que cresce a resistência de parte da população à vacinação, impulsionada pela desinformação nas redes sociais e pela rejeição às políticas de imunização implementadas durante a pandemia de Covid‑19.
As taxas de vacinação escolar caíram quase 3 pontos percentuais desde 2020. No condado de Spartanburg, apenas 89% dos estudantes estão com a carteira vacinal em dia — abaixo do índice de 95% recomendado para conter a disseminação do sarampo. Em algumas escolas, a cobertura chegou a menos de 20%.
Especialistas afirmam que políticas federais recentes, aliadas à falta de campanhas de incentivo, enfraqueceram a confiança nas imunizações. O Departamento de Saúde dos Estados Unidos não se pronunciou sobre o surto.
O sarampo é um dos vírus mais contagiosos conhecidos. Transmitido por tosse, espirros e até conversas, pode permanecer no ar por até duas horas após a passagem de uma pessoa infectada. A recomendação federal segue sendo o esquema de duas doses da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola): a primeira aos 12 meses e a segunda entre 4 e 6 anos.

Profissionais de saúde e autoridades locais reforçam que a queda nas taxas de imunização coloca toda a comunidade em risco, especialmente bebês que ainda não atingiram a idade para receber a primeira dose da vacina.
Fonte: Reuters / G1
