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MARTY SUPREME – Os Estados Unidos retratados em um jogador de ping-pong

Imagem: Divulgação

Chega aos cinemas no dia 22 de janeiro a mais nova aposta da produtora A24, e se trata de uma grande aposta, visto que é o filme mais caro da história da empresa. O grande destaque é Thimothée Chalamet, que vive o jogador estadunidense de tênis de mesa, Marty Mouser.

O roteiro é livremente inspirado na vida de Marty Reisman, um lendário jogador de tênis de mesa que se consagrou nos anos 50 e ficou conhecido pela sua personalidade extravagante e sem pudores em praticar pequenos golpes para obter benefícios financeiros.

O filme é dirigido por Josh Safdie, conhecido pelo competente Joias Brutas, de 2019. O diretor encara o filme como um verdadeiro jogo de ping-pong, rápido, repetitivo e caótico. Seu protagonista apresenta qualidades e defeitos que podem ser considerados uma mistura de tudo o que os Estados Unidos representam para o mundo. Talento, força, proatividade, mas sobretudo arrogância, prepotência, obsessão, manipulação e controle.

Falando em obsessão, essa é uma das características coincidentes entre as personalidades do protagonista e do ator que o vive. Mas a obsessão do Chalamet é ganhar o Oscar.

Em sua ânsia de ganhar dinheiro como esportista e pretensamente cheio de boas intensões, Marty pratica um golpe atrás do outro, deixando um rastro de destruição por onde passa. E qualquer semelhança com a forma como os Estados Unidos invadem outros países, sequestram presidentes, sugam seus recursos naturais e depois vão embora não é mera coincidência.

O filme tem muitas qualidades, as sequências muito inventivas, a direção e fotografia que abraçam o caos passando uma sensação de constante angústia e as interpretações de Thimotée Chalamet, principal concorrente de Wagner Moura no Oscar, além de Gwyneth Paltrow e Odessa A’zion.

Porém há um caráter repetitivo que me incomodou, a partir de certo momento, percebemos o padrão usado pelo roteiro. O protagonista arranja um monte de confusão, envolvendo um monte de gente aleatória e depois encara as consequências. O que fez com que a minha experiência ficasse cansativa e me deixou a sensação de que as duas horas e meia de filme pudessem se encurtadas.

De qualquer maneira trata-se de um bom filme, que está gerando bastante repercussão, ganhando alguns prêmios e deve ser indicado a algumas das principais categorias do Oscar.

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Carla Castello Branco

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