Manaus/AM, (26/01/26) – O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública contra o estado do Amazonas e a Prefeitura de Manaus para tentar conter a crise humanitária que afeta indígenas da etnia Warao. O órgão aponta falhas graves em serviços básicos como saúde, assistência social, saneamento e segurança alimentar. Segundo o MPF, a falta de atendimento já provocou mortes de crianças por desnutrição.

A Justiça recebeu pedido para que estado e município adotem medidas imediatas, como levantamento nutricional das famílias e busca ativa em toda a capital. A ação também solicita o pagamento de R$ 300 mil em indenização por danos morais coletivos, valor que deve ser aplicado em ações de saúde e assistência social. De acordo com o pedido, os indígenas enfrentam fome crônica, com casos de famílias que conseguem se alimentar apenas uma vez a cada dois dias. Muitas vivem em prédios abandonados ou locais sem água potável e saneamento, o que aumenta o risco de doenças.
Além disso, a ausência de intérpretes e mediadores culturais dificulta o acesso aos serviços públicos. O MPF afirma que a comunicação precária entre profissionais de saúde e os indígenas compromete tratamentos e orientações médicas. Entre as medidas cobradas estão a contratação de intérpretes para atuar nas Unidades Básicas de Saúde e em visitas domiciliares, além da realização de mutirões em áreas sem cobertura de equipes de saúde.
Hospitais estaduais de grande porte também devem contar com mediadores culturais para evitar falhas de comunicação. A redução de repasses estaduais para assistência social é apontada como fator que agravou a vulnerabilidade da comunidade. A Prefeitura de Manaus informou que não foi notificada pelo MPF, e irá se manifestar no processo quando for solicitada. O Governo do Amazonas também foi procurado, mas ainda não enviou posicionamento sobre a ação.
Fonte: G1 AM
