Washington/DC — O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (5) uma mudança inédita no calendário de vacinação infantil: seis vacinas deixaram de ser recomendadas de forma rotineira para todas as crianças. A medida foi tomada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), comandado por Robert Kennedy Jr., e integra uma revisão mais ampla da política de imunização incentivada pelo presidente Donald Trump.
As vacinas que saíram da lista de recomendações universais são contra gripe, hepatites A e B, meningococo (bactéria causadora de meningites), vírus sincicial respiratório — associado à bronquiolite em bebês — e rotavírus, responsável por quadros graves de gastroenterite. Meses antes, a vacina contra a Covid-19 já havia sido retirada do calendário infantil recomendado.
Com a mudança, que passa a valer imediatamente, essas vacinas serão indicadas apenas para crianças consideradas de alto risco ou mediante recomendação médica individual, em um modelo chamado de “decisão compartilhada” entre profissionais de saúde e famílias.
A decisão provocou reação imediata na comunidade médica. Infectologistas e pediatras alertam que a comparação com outros países ignora diferenças profundas entre sistemas de saúde, perfis populacionais e circulação de doenças.
“O calendário vacinal infantil dos Estados Unidos é uma das ferramentas mais estudadas e eficazes para prevenir doenças graves e potencialmente fatais”, afirmou o pediatra Sean O’Leary, especialista em doenças infecciosas. Para ele, qualquer mudança deveria ser baseada exclusivamente em evidências científicas robustas.
Fonte: G1
