Mensagens divulgadas pelo ICL Notícias nesta quinta-feira (3) mostram que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) procurou Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, em março de 2025 para tentar intermediar uma questão envolvendo um ativo de mineração.
Em um áudio enviado pelo WhatsApp no dia 30 de março, Nikolas apresenta a Vorcaro o advogado Thiago Rodrigues de Faria, seu amigo, e pede que o banqueiro avalie a possibilidade de ajudar a destravar o negócio.
Na gravação, o deputado chama Vorcaro de “Dani” e, posteriormente, de “lindão”. Nikolas afirma que Faria tinha um ativo minerário que já havia passado por uma análise técnica de uma empresa ligada ao banqueiro, mas que a negociação estaria pendente.
“Meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui, comentou comigo e falou daqui do seu nome”, disse Nikolas no áudio.
O deputado também afirma que não tinha proximidade com Vorcaro, embora dissesse que gostaria de manter mais contato com ele. O banqueiro respondeu poucos minutos depois, por meio de um áudio de visualização única. Em seguida, Nikolas encaminhou o contato de Faria.
“Amém irmão. Estamos na guerra juntos”, respondeu Vorcaro.
No dia seguinte, Nikolas informou que o advogado estaria em Brasília e poderia conversar com o banqueiro. Em seguida, Vorcaro respondeu: “Deixa comigo”.
As mensagens não esclarecem, porém, se o encontro entre os dois ocorreu ou se o pedido relacionado ao ativo de mineração foi atendido.
Advogado confirma contato
Procurado, Thiago Faria confirmou que o contato com Vorcaro ocorreu por causa de um ativo de minério. Segundo ele, os dois já se conheciam de Belo Horizonte.
O advogado negou ter qualquer relação com as investigações envolvendo o Banco Master e afirmou que nunca foi chamado para depor à Polícia Federal.
“Nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, declarou.
Faria também classificou os questionamentos sobre o episódio como “nada a ver” e afirmou que conhecer Vorcaro não seria algo incomum, já que ambos são de Belo Horizonte.
Mensagens não apontam irregularidade
O conteúdo divulgado mostra que Nikolas recorreu diretamente a Vorcaro para tentar ajudar uma pessoa próxima em uma negociação envolvendo mineração. As mensagens, entretanto, não indicam que o deputado tenha cometido qualquer irregularidade relacionada ao Banco Master.
Também não há, no material divulgado, informação que comprove que o negócio tenha sido concluído, que Faria tenha recebido algum benefício ou que tenha ocorrido pagamento relacionado à intermediação.
O contato aconteceu meses antes de o Banco Master se tornar alvo de uma ampla investigação, que passou a envolver autoridades e outras figuras públicas que mantiveram relações com Vorcaro.
