A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global após o avanço acelerado da chamada “gripe K”, causada pelo subclado K do vírus Influenza A (H3N2), que vem se espalhando sobretudo pela Europa e por países do leste asiático. O comunicado coincide com a confirmação do primeiro caso da variante na América Latina, registrado no México.
De acordo com documentos da OMS e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o subclado K (J.2.4.1) aumentou rapidamente em 2025 e passou a representar quase metade das sequências de H3N2 reportadas entre maio e novembro na Europa. A atividade global de gripe ainda está dentro do esperado, mas com aumentos precoces e intensidade maior do que o típico para esta época do ano em algumas regiões, principalmente no hemisfério norte.
No Sudeste Asiático, dados recentes apontam que cerca de 43% das pessoas diagnosticadas com gripe estão infectadas pela variação associada à gripe K, o que reforça a preocupação com a velocidade de circulação do subclado.
O que dizem OMS e OPAS sobre a gripe K
Em nota informativa publicada em 11 de dezembro de 2025, a OPAS/OMS informou que o subclado K de H3N2 vem se expandindo em várias regiões do mundo e reiterou recomendações já feitas no alerta epidemiológico de 4 de dezembro sobre influenza sazonal nas Américas. O documento destaca que os vírus do subclado K derivam de linhagens já conhecidas e que, por evolução natural, acumularam mutações, mas não há, até o momento, evidência de aumento de gravidade clínica em relação à gripe sazonal.
A OMS reforça, porém, que epidemias de gripe e outros vírus respiratórios podem pressionar sistemas de saúde, especialmente quando o H3N2 predomina, já que historicamente esse subtipo costuma afetar de forma mais intensa a população idosa e grupos vulneráveis. Por isso, a entidade pediu que países intensifiquem a vigilância, ampliem a cobertura vacinal e se preparem para um possível início mais precoce ou mais intenso da temporada de doenças respiratórias.
As vacinas contra influenza continuam sendo apontadas como a principal ferramenta de prevenção, mesmo diante de alguma diferença genética entre as cepas circulantes e as presentes nas formulações atuais. Segundo a OMS, a vacina ainda pode oferecer proteção contra vírus com deriva antigênica e reduzir casos graves e hospitalizações.
Linha do tempo: da Europa à América Latina
- Maio a novembro de 2025:
O subclado K do H3N2 cresce rapidamente na Europa e em países do leste asiático, até representar quase metade das sequências de H3N2 reportadas no período. - 4 de dezembro de 2025:
A OPAS publica um alerta epidemiológico sobre influenza sazonal na Região das Américas, já chamando atenção para o comportamento do H3N2 e a necessidade de reforçar a vigilância. - 11 de dezembro de 2025:
Sai a nota informativa específica da OPAS/OMS sobre o subclado K (J.2.4.1), com foco na situação mundial e nas recomendações para os países do continente americano. - Meados de dezembro de 2025:
A OMS divulga que, apesar de a atividade global estar dentro da sazonalidade, há “aumentos precoces” e atividade maior que o típico em algumas regiões, principalmente na Europa e na Ásia, impulsionados pela gripe K. - 14 de dezembro de 2025:
Reportagem de O Globo aponta que a América Latina registra o primeiro caso do subtipo K da gripe H3N2 no México, e que a variante já circula em Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, com aumento de internações e até fechamento de escolas em algumas áreas. - 15 de dezembro de 2025:
Veículos como A Gazeta e portais de notícias relatam o caso mexicano como a detecção do primeiro caso de influenza A (H3N2) subclado K no país, dentro do sistema de vigilância epidemiológica.
Primeiro caso no México: o que se sabe
Autoridades de saúde do México confirmaram a detecção do primeiro caso de influenza A (H3N2) subclado K em um paciente com sintomas respiratórios, que respondeu bem ao tratamento ambulatorial com antiviral e já se encontra recuperado. O caso foi identificado dentro do monitoramento de rotina conduzido pelo Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (Sinave), que acompanha permanentemente eventos relevantes em saúde pública.
Segundo o Ministério da Saúde mexicano, o subclado identificado não apresenta características distintas das cepas de influenza sazonal que circulam todos os anos. O manejo clínico segue os mesmos protocolos já conhecidos, e a vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção.
Uma análise publicada por O Globo destaca que o subtipo K, responsável pelo alerta global, já circula não só no México, mas também em Estados Unidos e Canadá, após ter provocado aumento de internações e fechamento de escolas em partes da Europa e da América do Norte.
Situação nas Américas e risco para o Brasil
Até o momento, segundo a OPAS, não há registro de casos do subclado K em países da América do Sul, embora o cenário possa mudar com a intensificação da vigilância e o aumento da testagem específica para H3N2/K. O alerta da entidade é preventivo: com a variante já presente no México, nos Estados Unidos e no Canadá, a recomendação é que os países da região se preparem para possível introdução e circulação da gripe K.
Especialistas lembram que, mesmo sem sinais de maior gravidade intrínseca do vírus, temporadas em que o H3N2 predomina costumam gerar mais internações em idosos e grupos vulneráveis, o que reforça a importância da vacinação e da organização da rede de saúde.
Subclado não representa alerta
A Secretaria de Saúde informou que o subclado K da influenza A (H3N2) identificado no paciente não apresenta características diferentes das cepas de influenza sazonal que circulam todos os anos. Por isso, o manejo clínico segue os protocolos já estabelecidos para casos de gripe comum.
As autoridades reforçam que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção e destacam que o registro deste caso não representa motivo de alerta para a população em geral.
Vacinação é a principal prevenção
Como medida preventiva, a pasta recomenda que a população procure unidades de saúde para atualizar o esquema vacinal. A orientação é especialmente importante para a temporada de inverno e inclui imunização contra:
- influenza,
- Covid-19,
- pneumococo.
Segundo a Secretaria, as vacinas disponíveis são eficazes para reduzir riscos, evitar complicações graves e diminuir a necessidade de internações.
A recomendação é ainda mais enfática para grupos vulneráveis, como:
- crianças,
- idosos,
- gestantes,
- profissionais de saúde,
- pessoas com comorbidades.
Esses grupos têm maior risco de evolução para quadros graves de doenças respiratórias.
