Brasil – 04/02/2026 – O número de casos de sarampo nas Américas aumentou de forma alarmante entre 2024 e 2025, passando de 446 para 14.891 registros, o que levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), a emitir alerta para os países da região. Foram 29 mortes em 2025. Em janeiro de 2026, dados parciais apontam 1.031 casos, quase 45 vezes mais que os 23 do mesmo período de 2025, sem confirmação de óbitos. A maior concentração está na América do Norte, com México, Canadá e Estados Unidos respondendo por mais de 90% das notificações.
A Opas destaca que a maioria dos infectados não tinha histórico de vacinação. Nos Estados Unidos, 93% dos casos ocorreram em pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida; no México, 91,2%; no Canadá, 89%. Em novembro de 2025, o continente perdeu o certificado de região livre de transmissão do sarampo.
O Brasil registrou 38 casos em 2025, quase todos sem histórico de vacinação, mas segue considerado livre da doença. Dez foram importados, 25 relacionados à importação e três de origem desconhecida. Os registros ocorreram no Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Tocantins. Em 2026, não há casos confirmados.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, lembra que o país recuperou em 2024 o certificado de livre da doença, após ter perdido em 2019. Ele alerta para o risco constante de entrada do vírus devido ao fluxo internacional de pessoas e reforça a necessidade de vigilância e altas coberturas vacinais.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, com sintomas como febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas na pele. Pode evoluir para complicações graves, como pneumonia, encefalite e cegueira. A vacinação é a principal forma de prevenção, oferecida pelo SUS, com duas doses aplicadas na infância. Dados preliminares de 2025 mostram avanço da cobertura vacinal, chegando a 93,78%, mas ainda abaixo dos 95% necessários para evitar surtos.
Entre as medidas da Opas estão reforçar a vigilância e vacinação de rotina, implementar pesquisas ativas para identificar casos precocemente e desenvolver atividades complementares de imunização. O Ministério da Saúde informou que intensificou a vacinação em estados fronteiriços e doou mais de 640 mil doses à Bolívia, além de reforçar ações em municípios de fronteira com Argentina e Uruguai e em cidades turísticas.
Fonte: D24am / Agência Brasil
