Manaus – 20/02/2026 – A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, nesta sexta-feira (20), a operação Erga Omnes para apurar a infiltração do crime organizado em diferentes esferas do poder público, após identificar movimentações superiores a R$ 70 milhões nos últimos quatro anos. A ação foi coordenada pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e contou com apoio integrado das forças de segurança dos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí.
Relatórios do Coaf utilizados na investigação apontaram transações financeiras de alto valor envolvendo servidores públicos suspeitos de colaborar com a organização criminosa, seja oferecendo suporte administrativo, abrindo espaço para a atuação do grupo na administração pública ou repassando informações sigilosas. Foram expedidos 24 mandados de prisão, dos quais 13 já foram cumpridos, além de 24 mandados de busca e apreensão. A operação também determinou o sequestro de veículos e de valores vinculados aos investigados e a empresas fantasmas ligadas ao tráfico de drogas.
Pelo menos 11 pessoas seguem foragidas: sete no Amazonas e as demais nos estados do Pará, Piauí, Ceará, Maranhão e São Paulo. O líder do grupo, identificado como Alan Kleber, não foi localizado; segundo a investigação, ele teria fugido às 3h da manhã em São Paulo, onde a esposa dele acabou presa pela Polícia Civil paulista.
As investigações apontam que o grupo adquiria drogas em Tabatinga para distribuição em outros estados, utilizando empresas fantasmas do segmento de logística para camuflar o transporte. Conforme a apuração, essas empresas não apresentavam movimentações compatíveis com a atividade declarada, mas mantinham negociações financeiras com servidores públicos. Há indícios de lavagem de dinheiro do tráfico e de intercâmbio financeiro com agentes em cargos estratégicos, incluindo ex-assessores parlamentares de vereadores, profissionais da área de advocacia, policiais militares e civis, além de servidores municipais e integrantes do Poder Judiciário.
De acordo com a Polícia Civil, a organização criminosa utilizava agentes públicos para garantir trânsito facilitado em órgãos e acesso a informações sensíveis. Em áudios e mensagens interceptadas, Alan Kleber afirmava que não temia ser preso porque “pagava todo mundo de todas as esferas” e orientava os comparsas a não se preocuparem. Ele também se apresentava como membro de empresa ligada a igreja evangélica e, em outra ocorrência, teria escondido drogas dentro de um templo religioso, estratégia que, segundo a investigação, servia para disfarçar as atividades ilícitas.
A corporação destacou que, até o momento, não há políticos com foro privilegiado entre os alvos da operação e que ainda será apurado se parlamentares tinham conhecimento da atuação dos assessores investigados. Um dos alvos possui ligação com processos de licitação em órgão público. A Polícia Civil afirmou que as investigações continuarão para aprofundar a identificação de responsabilidades e reforçou que a infiltração do crime organizado no serviço público representa um “câncer social” que precisa ser combatido para frear o avanço das facções nas estruturas estatais.
Lista de investigados citada pela polícia
- Izaldir Moreno Barros — servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas
- Adriana Almeida Lima — ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas
- Anabela Cardoso Freitas — investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus; foi chefe de gabinete do prefeito até 2023
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior — citado na investigação por movimentações financeiras suspeitas
- Josafá de Figueiredo Silva — ex-assessor parlamentar
- Osimar Vieira Nascimento — policial militar
- Bruno Renato Gatinho Araújo — investigado por participação no esquema
- Ronilson Xisto Jordão — preso em Itacoatiara
A Polícia Civil ressaltou que as investigações prosseguirão para aprofundar a identificação de responsabilidades, reunir provas e ampliar a apuração sobre a atuação de agentes públicos.
Matéria em atualização.
Fonte: acritica.com
