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Saúde

Pobreza impacta desenvolvimento motor de bebês já aos seis meses, aponta pesquisa da UFSCar

Estudo mostra atrasos em movimentos básicos, mas revela que estímulos simples podem reverter quadro rapidamente

Imagem: Internet

São Carlos – 16/02/2026 – Bebês que vivem em lares pobres apresentam atrasos no desenvolvimento motor já a partir dos seis meses de idade, segundo pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) publicada na revista científica Acta Psychologica.

O estudo acompanhou 88 bebês no interior de São Paulo e constatou que aqueles em situação de pobreza demoravam mais para agarrar objetos, virar e sentar em comparação aos que viviam em melhores condições socioeconômicas.

“Aos seis meses, esses bebês têm um repertório menor de movimentos”, explicou a autora da pesquisa, Caroline Fioroni Ribeiro da Silva, fisioterapeuta e pesquisadora financiada pela Fapesp.

Riscos e consequências

Segundo a pesquisadora, atrasos motores podem estar associados a dificuldades futuras na vida escolar, como déficit de atenção, hiperatividade e transtornos de coordenação. Ela ressalta, no entanto, que mais estudos são necessários para confirmar essa relação.

Reversão com estímulos simples

A pesquisa também mostrou que os atrasos podem ser revertidos rapidamente. Aos oito meses, bebês estimulados por suas mães já não apresentavam problemas significativos. Entre os exercícios aplicados estavam:

  • colocar a criança de barriga para baixo (tummy time);
  • brincar com papel amassado;
  • conversar e cantar para o bebê;
  • incentivar leitura e interação.

Essas práticas fortalecem músculos da cabeça, pescoço, ombros e braços, preparando o bebê para rolar, sentar, engatinhar e ficar de pé no tempo certo.

Fatores sociais

O estudo revelou que a maioria das mães em situação de pobreza era adolescente e não sabia como estimular os filhos. Nesses casos, visitas de agentes de saúde e fisioterapeutas foram determinantes.

Outros fatores observados:

  • bebês em lares pobres passavam mais tempo em carrinhos, com menos espaço para explorar;
  • domicílios com muitos adultos eram mais “caóticos”, reduzindo oportunidades de movimento;
  • presença dos pais ou maior escolaridade materna esteve associada a melhores resultados.

Contexto global

Segundo relatório da Unicef publicado em novembro de 2025, cerca de 400 milhões de crianças vivem na pobreza em todo o mundo, submetidas a severas privações para saúde, desenvolvimento e bem-estar.


Fonte: Agência Brasil

 

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