Quem está por trás dos incêndios que atingem o Amazonas? Essa é uma das perguntas que uma força-tarefa de órgãos públicos tenta responder diante da sequência de queimadas no estado. As investigações buscam identificar os responsáveis pelo fogo e verificar se os episódios são isolados ou se existe uma ação organizada por trás das ocorrências.
Em entrevista coletiva realizada em Manaus na quarta-feira (14), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que o governo pretende aprofundar as apurações para descobrir quem está provocando os incêndios e se há uma organização envolvida. Segundo a Agência Brasil, já foram abertos 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) para apurar possíveis condutas criminosas.
A abertura desses procedimentos, porém, não significa que 120 suspeitos tenham sido identificados ou que os crimes já tenham sido comprovados. As apurações ainda precisam esclarecer as circunstâncias de cada ocorrência e apontar eventuais responsáveis.
O que está sendo investigado?
Uma das principais linhas de investigação é a possibilidade de que parte dos incêndios tenha sido provocada intencionalmente. Capobianco afirmou que os focos têm origem humana e relatou ter observado fogo em áreas de floresta preservada, situação que levantou suspeitas de ação criminosa.
Segundo o ministro, a investigação também deverá verificar se existe uma atuação coordenada entre os responsáveis pelos incêndios. Até o momento, as informações divulgadas não confirmam a existência de uma organização criminosa nem apontam nomes de pessoas identificadas como responsáveis pelo conjunto das ocorrências.
Quais órgãos participam das apurações?
A força-tarefa reúne diferentes instituições para investigar possíveis crimes ambientais e buscar informações sobre a origem dos focos de fogo. Entre os órgãos envolvidos estão a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Civil do Amazonas, com participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no trabalho de verificação de uma possível ação organizada. <Cite refs={[“turn376772search8″,”turn376772search10”]} />
A atuação integrada busca reunir informações sobre as ocorrências e identificar possíveis conexões entre os episódios. A hipótese de uma ação coordenada é uma das linhas investigadas, e não uma conclusão já estabelecida.
Há relação entre os incêndios?
A possibilidade de conexão entre diferentes focos é um dos pontos centrais da apuração. O governo pretende verificar se os incêndios foram provocados por pessoas agindo de forma independente ou se há algum tipo de organização por trás deles.
O ministro mencionou como referência o chamado “Dia do Fogo”, episódio de 2019 associado a uma série de queimadas na Amazônia. A comparação serve como referência para a investigação, mas não comprova que os incêndios atuais tenham a mesma origem ou organização.
Além da identificação dos responsáveis, as autoridades precisam esclarecer as circunstâncias em que o fogo começou em cada área e se houve intenção de degradar a vegetação para facilitar o desmatamento ou a ocupação irregular do território.
Mais de 600 mil hectares destruídos
A dimensão dos danos ambientais aumenta a preocupação com a identificação dos responsáveis. Conforme os dados apresentados no material que motivou esta reportagem, mais de 600 mil hectares já foram destruídos pelo fogo no Amazonas neste ano.
Mesmo quando há redução no número de novos focos, a fumaça e os impactos ambientais continuam sendo motivo de preocupação. O cenário também exige a atuação dos órgãos responsáveis pelo combate às chamas, pela fiscalização ambiental e pela investigação de possíveis crimes.
Até o momento, as informações divulgadas pelas autoridades destacam a abertura de procedimentos para apurar possíveis crimes e a investigação sobre uma eventual ação coordenada. Não há, nas informações consultadas para esta reportagem, uma lista confirmada de suspeitos identificados nem comprovação de que uma única organização esteja por trás dos incêndios.
O avanço das investigações deverá esclarecer quem provocou os focos, se existem conexões entre as ocorrências e quais medidas poderão ser tomadas contra os responsáveis.
