Atrasos salariais, benefícios pendentes e a possibilidade de paralisação marcaram um protesto de trabalhadores terceirizados do Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio Machado, na zona leste de Manaus. Durante a mobilização em frente à unidade, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde Privados do Estado do Amazonas (Sindpriv), Graciete Mouzinho, cobrou diretamente o governador Roberto Cidade (União Brasil) e afirmou que a categoria estuda decretar greve caso a situação não seja resolvida.
“Agora, eu preciso de uma resposta do governador, do secretário. Porque, Roberto Cidade, você é governador. Fale com o seu secretário”, declarou Graciete durante o protesto.
Os profissionais atuam em setores como enfermagem, equipes multiprofissionais e limpeza, por meio das empresas terceirizadas IDEAS e RDS, contratadas pelo Governo do Amazonas. Segundo os trabalhadores, há casos de salários pagos parcialmente ou ainda não quitados, além de pendências relacionadas a horas extras, adicional de insalubridade, auxílio-alimentação e depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
A categoria cobra uma solução para os pagamentos e esclarecimentos sobre os recursos destinados às empresas responsáveis pelos serviços na unidade hospitalar.
Sindicato questiona repasses às empresas
Graciete afirmou que procurou a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para buscar uma resposta às reclamações. Segundo ela, durante uma reunião realizada na semana anterior ao protesto, recebeu a informação de que R$ 26 milhões haviam sido repassados à empresa responsável pela gestão dos serviços.
De acordo com o relato da sindicalista, a justificativa apresentada envolvia débitos com médicos e outros profissionais. Ela questionou, porém, por que trabalhadores que atuam diretamente no atendimento aos pacientes continuavam enfrentando problemas para receber os valores devidos.
A presidente do sindicato também mencionou pagamentos de R$ 5 mil durante sua fala, mas a declaração não esclarece, por si só, a que pagamento específico o valor se refere.
As informações sobre os repasses e as pendências financeiras foram apresentadas pela sindicalista e pelos trabalhadores. Não foram disponibilizados documentos que permitam confirmar a destinação integral dos recursos mencionados ou a situação de pagamento de cada empresa.
Descontos de empréstimos preocupam trabalhadores
Outra denúncia apresentada durante a mobilização envolve empréstimos consignados. Segundo os relatos, as parcelas são descontadas diretamente dos salários dos funcionários, mas não estariam sendo repassadas regularmente às instituições financeiras.
Os trabalhadores afirmam que o problema tem provocado dificuldades financeiras, incluindo restrições de crédito. Graciete também relatou preocupação com profissionais que enfrentam consequências relacionadas a compromissos financeiros, como o pagamento de pensão alimentícia.
“Todo mundo que está aqui prestou o seu serviço e deve receber”, afirmou a presidente do Sindpriv, ao cobrar a regularização dos valores pendentes.
A sindicalista criticou ainda a necessidade de procurar repetidamente a Secretaria de Saúde para tratar das mesmas reivindicações. Segundo ela, as tentativas de negociação realizadas até então não resultaram na solução esperada pela categoria.
Trabalhadores denunciam sobrecarga no atendimento
Além dos problemas de pagamento, os profissionais relataram equipes reduzidas e sobrecarga de trabalho no Hospital João Lúcio, especialmente em setores como a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o politrauma.
Segundo o diretor do sindicato, Francisco José, a demanda de pacientes e a quantidade insuficiente de profissionais agravam as condições de trabalho na unidade.
Durante a mobilização, a Polícia Militar foi acionada na recepção do hospital após um princípio de confusão envolvendo pacientes e profissionais. O episódio ocorreu em meio às reclamações apresentadas durante o protesto.
Categoria cobra solução e não descarta paralisação
A principal reivindicação do sindicato é a regularização dos pagamentos e a apresentação de esclarecimentos sobre as pendências denunciadas pelos trabalhadores. Ao cobrar uma resposta de Roberto Cidade, Graciete direcionou a pressão ao governo estadual, responsável pela contratação dos serviços terceirizados.
A possibilidade de greve foi apontada como uma medida em estudo diante da continuidade dos problemas relatados pela categoria. Uma eventual paralisação pode afetar a rotina de trabalho na unidade, que atende casos de urgência e emergência.
O espaço permanece aberto para manifestações da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), do Governo do Amazonas e das empresas IDEAS e RDS sobre as denúncias apresentadas pelos trabalhadores.
