Manaus, 30/03/2026 – A Praia da Ponta Branca, localizada no bairro Educandos, zona Sul de Manaus, registrou 3.500 NPL/100 mL de Escherichia coli (coliformes fecais), índice 75% acima do limite estabelecido pela legislação ambiental. A população continua frequentando as águas, que apresentam quase o dobro da poluição permitida por lei, e especialistas alertam para o risco de infecções graves.
“O que eu alerto é que estamos vendo apenas uma bactéria, ali deve haver muitas outras”, afirma o professor Dr. Sergio Duvoisin Junior, coordenador do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Limite ultrapassado
A portaria nº 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece o limite de 2.000 NPL/100 mL de Escherichia coli. No balneário, o índice ultrapassa em cerca de 1.500 coliformes fecais o valor permitido pela legislação.
“Eu faço o monitoramento dessa bacia há quase dez anos. Hoje, temos 107 pontos de monitoramento em Manaus, e o Educandos é um deles. Conhecemos profundamente essa bacia, inclusive os locais onde há lançamento de esgoto não tratado. O que falta é gestão. Monitoramento nós fazemos muito bem”, destacou o professor da UEA.
Casos extremos
Há dois meses, o grupo de pesquisadores identificou, em um ponto próximo à Praia da Ponta Branca, cerca de 344 mil coliformes fecais.
“Existem pontos com milhões de coliformes. Quando vi a população frequentando aquele local, fiquei preocupado, pois se trata de um problema de saúde pública. Fomos até a Ponta Branca e encontramos 3.500 NPL/100 mL de Escherichia coli, acima do esperado”, relatou, em entrevista ao A Crítica.

Riscos à saúde
O professor explicou que a alta concentração de coliformes fecais pode causar infecções gastrointestinais (como diarreia), problemas renais, além de otite e infecções oculares.
“É uma bactéria oportunista. A pessoa está tomando banho e, inevitavelmente, acaba ingerindo um pouco dessa água. Diversas infecções estão associadas a esse tipo de contaminação”, alertou.
Estudos ampliados
De acordo com o professor, o grupo pretende realizar um estudo mais abrangente sobre balneabilidade em 48 balneários da capital, além dos municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão.
“Em Manaus, os pontos iniciais de estudo serão Ponta Branca, Ponta Negra, Praia Dourada, Praia da Lua e Praia do Tupé. Vamos dialogar com a Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) para buscar recursos, assim como com o secretário da Sedecti, Serafim Corrêa. A ideia é propor um projeto integrado de balneabilidade dos principais balneários de Manaus e região metropolitana”, afirmou.
O grupo de pesquisa reúne mais de 120 integrantes, sendo cerca de 35 diretamente envolvidos no monitoramento ambiental. A maioria é composta por doutores, além de alunos de mestrado e doutorado. Os pós-graduandos contam com o apoio de estudantes de iniciação científica, que têm nesse estágio o primeiro contato com o monitoramento ambiental e passam a desenvolver pesquisas na área.

Outros rios
Sergio Duvoisin Junior destacou ainda que o grupo realiza pesquisas no rio Negro (de Manaus até São Gabriel da Cachoeira), no rio Madeira (entre Nova Olinda do Norte e Humaitá) e no rio Solimões (até o município de Tefé).
Sem respostas
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para comentar a situação da Praia da Ponta Branca, mas, até o fechamento desta matéria, o Executivo municipal não havia se pronunciado sobre o alto índice de coliformes fecais no local.
📌 Fonte: A Crítica / Paulo Bindá
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