A estiagem que atinge o Amazonas pode ter reflexos no orçamento dos consumidores de Manaus. Com a redução do nível dos rios, o transporte de mercadorias enfrenta dificuldades e os custos logísticos podem aumentar, criando pressão sobre os preços de alimentos, medicamentos, combustíveis e outros produtos que chegam à capital por via fluvial.
Segundo boletim da Defesa Civil estadual divulgado em 1º de novembro, 146.425 famílias foram atingidas pela estiagem no Amazonas. Naquele levantamento, 47 municípios estavam em situação de emergência e outros 15 em alerta, incluindo Manaus.
O impacto econômico também foi apontado pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), que alertou para o risco de encarecimento de produtos essenciais em razão das dificuldades de transporte e abastecimento. O órgão destaca que o aumento dos custos logísticos pode chegar ao consumidor mesmo antes de ocorrer uma situação de desabastecimento.
Por que a seca pode aumentar os preços?
O abastecimento de Manaus depende, em grande parte, do transporte fluvial. Com a diminuição da profundidade dos rios, embarcações podem enfrentar restrições de navegação e precisar adaptar suas operações.
Em determinadas condições, os navios transportam menos mercadorias por viagem, o que eleva o custo por unidade transportada. Também podem ser necessárias mudanças nas rotas e operações logísticas, aumentando o tempo e as despesas para a chegada dos produtos.
Um dos custos relacionados a esse cenário é a chamada taxa da seca, conhecida internacionalmente como Low Water Surcharge (LWS), uma sobretaxa aplicada em determinadas operações de transporte marítimo e fluvial para compensar despesas adicionais provocadas pelas condições de navegação.
Em reportagem publicada em 30 de outubro, o portal Amazonas1 informou que o comércio de Manaus trabalhava com a possibilidade de reajustes entre 8% e 10% nos preços de produtos em novembro. A estimativa foi atribuída ao presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), Ralph Assayag, em entrevista à BandNews Difusora.
O percentual representa uma projeção apresentada pelo setor comercial, e não um aumento já confirmado em todos os estabelecimentos ou categorias de produtos.
Quais produtos podem sentir os efeitos da estiagem?
O risco de encarecimento não se limita a um único segmento. De acordo com o alerta do MPC-AM, a dificuldade de transporte pode afetar o abastecimento de alimentos, medicamentos, combustíveis, gás de cozinha e outros produtos essenciais.
Entre os itens que merecem atenção estão:
- Alimentos: produtos transportados por embarcações podem sofrer pressão de custos conforme as condições de abastecimento e armazenamento.
- Medicamentos: a logística de distribuição pode ser afetada, especialmente em regiões que dependem do transporte fluvial.
- Combustíveis: as dificuldades de navegação podem aumentar os custos de transporte e distribuição.
- Gás de cozinha: o abastecimento também depende de operações logísticas que podem enfrentar dificuldades durante a estiagem.
- Produtos industrializados: mercadorias e insumos transportados pelos rios podem ter custos adicionais ao longo da cadeia de distribuição.
Isso não significa que todos esses produtos terão aumento imediato em Manaus. O impacto depende das condições de transporte, dos estoques disponíveis, dos contratos comerciais e da política de preços de cada fornecedor.
Nível do Rio Negro continua em queda
Os dados do Porto de Manaus ajudam a dimensionar a redução do nível do rio na capital. Em 5 de novembro, o Rio Negro registrou a cota de 16,48 metros, conforme o monitoramento da administração portuária.
No início de outubro, o nível estava em 18,73 metros. A comparação mostra uma redução de 2,25 metros ao longo de pouco mais de um mês.
A cota do Rio Negro é um dos indicadores acompanhados durante o período de estiagem e ajuda a compreender as condições hidrológicas na região. Entretanto, as condições de navegação também dependem de outros fatores, como a profundidade dos trechos utilizados pelas embarcações.
O que o consumidor pode fazer?
Diante da possibilidade de aumento dos custos de abastecimento, o consumidor pode adotar alguns cuidados para organizar as despesas:
- Comparar preços: verificar os valores em diferentes estabelecimentos antes de realizar compras maiores.
- Planejar as compras: organizar uma lista de produtos essenciais e evitar aquisições por impulso.
- Acompanhar promoções: observar ofertas e comparar o preço por unidade ou quilo para identificar se há vantagem real.
- Evitar estoques desnecessários: comprar de acordo com o consumo da família, sem estimular compras motivadas pelo medo de desabastecimento.
- Organizar o orçamento: reservar uma margem para possíveis variações nos gastos com alimentação e outros itens básicos.
A estiagem no Amazonas representa um desafio que vai além da redução dos níveis dos rios. As dificuldades de navegação podem afetar o transporte, o abastecimento e os custos de mercadorias que chegam à capital. Por isso, acompanhar os indicadores oficiais e o comportamento dos preços será importante para entender a dimensão dos efeitos no bolso da população.
