Brasília (DF) – 03/03/2026 – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta terça-feira que o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer teleatendimento especializado em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. O lançamento ocorreu durante simulação de consulta remota no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Atendimento remoto e reservado
Segundo Padilha, o formato remoto foi pensado para enfrentar o silêncio que muitas vezes acompanha o problema: vergonha, medo de julgamento e dificuldade de reconhecer a dependência. As consultas são realizadas por vídeo, com duração média de 45 minutos, e podem incluir até 13 encontros individuais ou em grupo com familiares e pessoas de apoio.
Público-alvo e expectativa
O serviço é voltado para pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e integrantes da rede de apoio. A expectativa inicial é de 600 atendimentos mensais. O projeto é fruto de parceria com o Hospital Sírio-Libanês por meio do Proadi-SUS, com investimento de R$ 2,5 milhões do Ministério da Saúde.
Estratégia nacional
A medida integra uma estratégia para enfrentar comportamentos problemáticos ligados a jogos e apostas, especialmente online. Em 2025, o SUS registrou 6.157 atendimentos presenciais relacionados ao tema. Entre as ações complementares estão:
- Plataforma de Autoexclusão Centralizada, do Ministério da Fazenda, que permite bloquear acesso a sites de apostas autorizados.
- Observatório Saúde Brasil de Apostas, para troca de dados entre Saúde e Fazenda.
- Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, publicada pelo Ministério da Saúde.
Como acessar
O acesso é feito exclusivamente pelo aplicativo Meu SUS Digital. Após login com conta gov.br, o usuário deve entrar na área “Miniapps” e selecionar “Problemas com jogos de apostas?”.
O sistema oferece um autoteste validado cientificamente. Se o resultado indicar risco moderado ou alto, o encaminhamento para teleconsulta ocorre automaticamente. Em casos de risco baixo, o app orienta procurar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui CAPS e Unidades Básicas de Saúde.
Equipe multiprofissional
O atendimento é realizado por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de psiquiatra quando necessário. O modelo prevê articulação com assistência social e atenção primária, garantindo integração com os serviços locais do SUS.
Fonte: Correio Braziliense
