Dois trens de alta velocidade colidiram nesta quarta-feira (28) na Espanha, provocando mortes, dezenas de feridos e a interrupção da circulação ferroviária entre Madri e a região da Andaluzia, no sul do país.
A porta-voz do governo regional de Castilla-La Mancha, Ester Padilla, confirmou ao menos 68 mortes e 80 feridos. O balanço ainda pode mudar à medida que as equipes de emergência avançam no atendimento às vítimas.
Segundo as informações divulgadas, um trem da Renfe, com 397 pessoas a bordo, e uma composição operada pela Iryo, que transportava 147 passageiros, colidiram pouco depois das 9h no horário local, entre as cidades de Mora e Orgaz. O impacto provocou o descarrilamento de vagões.
Imagens exibidas pela emissora regional Castilla-La Mancha Televisión mostraram vagões fora dos trilhos, estruturas metálicas retorcidas e destroços espalhados em uma área abaixo da linha férrea.
Causa do acidente é investigada
As circunstâncias da colisão ainda estão sendo apuradas. Uma fonte ouvida pela agência Reuters afirmou que o trem da Iryo estava parado nas proximidades de Toledo por determinação da Adif, empresa responsável pela infraestrutura ferroviária, devido a uma falha de sinalização, quando teria sido atingido pela composição da Renfe.
A informação ainda precisa ser confirmada oficialmente. Até o momento, as duas operadoras não haviam respondido aos pedidos de comentário feitos pela Reuters.
A circulação ferroviária foi interrompida no trecho entre Madri, Ciudad Real e a Andaluzia, enquanto as equipes atuavam no local e as autoridades investigavam o acidente.
Passageiros relatam momentos de terror
Passageiros descreveram o impacto como extremamente forte. Miguel, que viajava no último vagão de um dos trens com colegas, contou à rádio COPE que ouviu um estrondo intenso e percebeu sinais de destruição em outra composição.
Eduarda, passageira do trem da Iryo, relatou à rádio Cadena SER que o impacto a lançou para a frente. Inicialmente, ela pensou que o trem tivesse feito uma parada de emergência, mas percebeu a gravidade da situação ao ver pessoas feridas e receber orientações para evacuar.
O prefeito de Los Yébenes, Jesús Pérez Martín, descreveu a situação como horrível e relatou ter recebido informações sobre ferimentos graves. Em Urda, município próximo, os serviços de emergência solicitaram a preparação de um ginásio para receber feridos.
Governo espanhol e líderes internacionais se manifestam
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, lamentou o acidente e manifestou solidariedade às vítimas e aos familiares. A ministra da Saúde, Mónica García, também pediu doações de sangue.
O rei Felipe VI expressou condolências às famílias durante um compromisso oficial nas proximidades de Valência. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente francês, Emmanuel Macron, também manifestaram pesar.
Diante da gravidade do acidente, a agenda oficial do primeiro-ministro foi cancelada, assim como eventos de campanha do Partido Popular, segundo um porta-voz da sigla.
Brasil acompanha a situação
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil lamentou a tragédia e manifestou solidariedade ao povo e ao governo espanhol. O Itamaraty informou que acompanha a situação por meio dos consulados-gerais brasileiros na Espanha para prestar assistência consular a cidadãos brasileiros que eventualmente tenham sido afetados.
