São Paulo (SP) – 17/04/2026 – Os preços do petróleo registraram forte queda nesta sexta‑feira (17), recuando mais de 10% no mercado internacional após o anúncio da reabertura total do Estreito de Ormuz pelo governo do Irã. A decisão ocorre em meio à trégua no Oriente Médio e ao cessar‑fogo firmado entre Israel e Líbano, reduzindo as tensões na principal rota marítima de transporte de petróleo do mundo.
O movimento de queda aconteceu depois que o Irã informou que todas as embarcações comerciais poderão voltar a transitar livremente pelo Estreito de Ormuz enquanto durar o cessar‑fogo com os Estados Unidos, vigente até a próxima quarta‑feira (22). Com isso, o mercado reagiu rapidamente ao alívio nas preocupações com o abastecimento global de energia.
Por volta das 14h50, o barril do tipo Brent, referência internacional, caía 9,20%, sendo negociado a US$ 90,25. Mais cedo, a cotação chegou a US$ 86,41, o menor patamar desde 10 de março, quando o preço estava em US$ 87,80.
Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuava 11,41%, cotado a US$ 83,89 no mesmo horário.
Apesar do forte recuo desta sexta‑feira, os preços do petróleo ainda permanecem elevados em comparação com os níveis observados no início de 2026, refletindo semanas de instabilidade geopolítica na região.
A reabertura do Estreito de Ormuz é considerada um dos pontos mais sensíveis do conflito no Oriente Médio e representa o primeiro grande gesto do Irã em direção à redução das hostilidades. A passagem marítima responde por mais de 20% de todo o comércio global de petróleo, sendo estratégica para países como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos.
Em comunicado oficial, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que a navegação está totalmente liberada durante o período da trégua.
“De acordo com o cessar‑fogo, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz está completamente aberta pelo período restante do acordo”, afirmou.
Após o anúncio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agradeceu publicamente ao Irã pela decisão, mas ressaltou que o bloqueio naval mantido pelos EUA no Golfo de Omã continuará em vigor.
“O Irã acaba de anunciar que o Estreito está totalmente aberto e pronto para a livre passagem. Obrigado”, escreveu Trump em sua rede social, acrescentando que o país concordou em não voltar a fechar a rota.
Trégua no Oriente Médio
A liberação do Estreito ocorre em meio a esforços diplomáticos para reduzir as tensões regionais, após o anúncio de um cessar‑fogo de dez dias entre Israel e Líbano, mediado pelos Estados Unidos. O acordo envolve indiretamente o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, e ainda enfrenta incertezas quanto à sua efetiva implementação.
Nesse contexto, a reabertura da principal rota de escoamento de petróleo do planeta sinaliza um alívio temporário para os mercados, que vinham reagindo ao risco de interrupções no fornecimento global. Nos últimos dias, as tensões entre Irã e Estados Unidos haviam elevado o temor de bloqueios marítimos, pressionando as cotações da commodity.
A travessia de um primeiro petroleiro pelo Estreito desde o início das restrições reforçou a percepção de uma normalização parcial das operações, embora analistas alertem que a situação segue frágil e altamente dependente da manutenção da trégua na região.
O Estreito de Ormuz é uma faixa estreita de mar que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao oceano aberto, sendo considerado um dos pontos mais estratégicos do comércio global de energia.
Fonte: g1
