Pequim/China — Um aplicativo de celular com nome sombrio, “Você Está Morto?”, tem chamado atenção na China e já figura entre os mais baixados do país. O conceito é simples: o usuário precisa fazer check-in a cada dois dias, clicando em um botão na tela para confirmar que está vivo. Caso contrário, o sistema envia um alerta ao contato de emergência indicado, informando que a pessoa pode estar em risco.
Lançado discretamente em maio de 2025, o aplicativo ganhou popularidade nas últimas semanas, especialmente entre jovens que moram sozinhos nas grandes cidades. Com isso, tornou-se o aplicativo pago mais baixado na China. Projeções do Global Times indicam que, em 2030, o país poderá ter até 200 milhões de pessoas vivendo sozinhas, público-alvo da ferramenta.
Função social
O aplicativo se apresenta como uma “companhia segura” para profissionais que vivem sozinhos, estudantes longe da família ou pessoas em situação vulnerável. Usuários relatam que o recurso traz sensação de segurança: “Existe o temor de que as pessoas que moram sozinhas possam morrer sem que alguém perceba, sem ter ninguém para quem pedir ajuda”, escreveu um internauta.
O caso de Wilson Hou, de 38 anos, ilustra essa preocupação. Morando longe da família, ele instalou o aplicativo e definiu a mãe como contato de emergência: “Minha preocupação era que, se algo acontecesse comigo, eu poderia morrer sozinho e ninguém ficaria sabendo”, disse.

O aplicativo exige que você clique periodicamente em um grande botão para confirmar que está vivo
Nome polêmico
Apesar do sucesso, o nome gerou críticas. Alguns usuários afirmam que “Você Está Morto?” traz má sorte e sugerem alternativas como “Você Está Bem?”. O título é um trocadilho com “Você Está com Fome?”, famoso aplicativo de delivery na China. Em mandarim, sǐ le ma (“você está morto?”) soa parecido com è le ma (“você está com fome?”).
A empresa responsável, Moonscape Technologies, admite avaliar uma mudança de nome, mas reconhece que a escolha chamativa pode ter impulsionado a popularidade.

Expansão internacional
Internacionalmente, o aplicativo é conhecido como Demumu. Ele já ocupa posições de destaque entre os utilitários pagos: segundo lugar nos Estados Unidos, Singapura e Hong Kong, e quarto lugar na Austrália e Espanha. O preço é baixo — 8 yuans (US$ 1,15, cerca de R$ 6,20).
Pouco se sabe sobre os criadores. Eles afirmam ser três jovens nascidos após 1995, que desenvolveram o app em Zhengzhou, província de Henan. O custo inicial teria sido de apenas 1 mil yuans (US$ 140). Hoje, um dos fundadores, identificado como Sr. Guo, busca levantar capital vendendo 10% da empresa por 1 milhão de yuans (US$ 140 mil).
Próximos passos
Os desenvolvedores já estudam ampliar o público-alvo, com uma versão voltada para idosos. Na China, 20% da população tem mais de 60 anos. Em postagem recente, a equipe afirmou querer “convocar mais pessoas a prestar atenção aos idosos que moram em casa, oferecer a eles mais atenção e compreensão”.
A empresa não respondeu aos pedidos de informação da BBC até a publicação da reportagem.
Fonte: BBC News
