São Paulo (SP) – 05/03/2026 – Os preços dos ovos subiram de forma acentuada no início de 2026, chegando a quase dobrar em algumas regiões do Brasil, o que já impacta o orçamento dos consumidores. Apesar da alta expressiva, os valores ainda permanecem abaixo dos patamares registrados em 2025, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq‑USP).
Em Santa Maria de Jetibá (ES), maior polo produtor do país, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos teve alta de 97,1%, passando de R$ 82,99 para R$ 163,52 entre janeiro e fevereiro. Já em Bastos (SP), outro importante centro de produção, o aumento foi de 77,6% no mesmo período.
De acordo com o Cepea, o movimento de alta ocorre após o fim de cinco meses consecutivos de queda nos preços e é impulsionado principalmente pelo aumento da demanda durante a Quaresma.
A pesquisadora de ovos do Cepea, Cláudia Scarpelin, explica que fatores sazonais influenciaram o comportamento do mercado no início do ano. Segundo ela, férias escolares e viagens reduzem o consumo das famílias, o que diminuiu a procura por ovos nos meses anteriores. Com a oferta elevada, os preços recuaram e atingiram, em janeiro, o menor valor para o mês em seis anos: R$ 89 por caixa em Santa Maria de Jetibá.
Retomada da demanda eleva os preços
Em fevereiro, o cenário mudou. A volta às aulas e a retomada da rotina aumentaram o consumo, enquanto a oferta ficou mais ajustada, pressionando os preços para cima. Além disso, a Quaresma, período que antecede a Páscoa, tradicionalmente eleva o consumo de ovos como alternativa às carnes, cuja ingestão é reduzida por motivos religiosos.
“A expectativa do setor é que, durante a Quaresma, os preços fiquem em patamares mais elevados, com demanda crescendo gradualmente”, afirmou Cláudia Scarpelin. Segundo a pesquisadora, após o período religioso, o comportamento do mercado dependerá do equilíbrio entre oferta e demanda. “Se a produção continuar aumentando e a demanda não absorver essa oferta, os preços podem recuar.”
Comparação com 2025
Mesmo com a alta recente, os preços atuais ainda estão, em termos reais, abaixo dos registrados em fevereiro de 2025. No ano passado, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos superou R$ 220 em São Paulo. Em 2026, o valor fechou fevereiro em R$ 177,59, representando queda de 19,3% na comparação interanual.
Em 2025, o ano começou com preços elevados devido à oferta interna restrita. Altas temperaturas reduziram a produção e valorizaram o produto. Naquele período, a caixa custava R$ 150,27 em Santa Maria de Jetibá e R$ 143,24 em Bastos. No mesmo intervalo de 2026, os preços caíram 44,8% e 37,5%, respectivamente, para R$ 82,99 e R$ 89,57.
Produção, custos e poder de compra
Ao longo de 2025, a produção de ovos aumentou, mas os preços não acompanharam esse crescimento, o que explica por que, mesmo com a alta registrada em fevereiro, os valores ainda não alcançam os níveis do ano anterior.
Cláudia Scarpelin também destacou o impacto do milho, principal insumo da alimentação das galinhas poedeiras. Durante o período de queda dos preços dos ovos, o produtor perdeu poder de compra, conseguindo adquirir menos milho com a venda de cada caixa. Com a recuperação dos preços em fevereiro, essa relação melhorou.
Segundo o Cepea, o poder de compra dos avicultores paulistas frente ao milho e ao farelo de soja reagiu com as altas do mês:
- Milho: com a venda de uma caixa de ovos brancos, o produtor conseguiu comprar 131,22 kg do cereal; com a caixa de ovos vermelhos, 147,77 kg, aumentos de 36,7% e 37,1% em relação a janeiro.
- Farelo de soja: a venda de uma caixa de ovos brancos permitiu a compra de 80,27 kg; a de ovos vermelhos, 90,40 kg, altas de 41,3% e 41,7%.
Fonte: Em Tempo / CNN Brasil
