Manaus (AM) – 16/04/2026 – A Âmbar Energia, que assumiu recentemente a operação da Amazonas Energia, informou que não pretende retomar a instalação dos medidores aéreos conhecidos como Sistema de Medição Centralizada (SMC) em Manaus. A afirmação foi feita pelo presidente da empresa, João Pilla, em entrevista concedida nesta terça‑feira (14).
Segundo Pilla, o modelo de medição aérea, implantado a partir de 2024 e alvo de críticas de consumidores e ações judiciais, não está entre as prioridades da nova gestão. Ele afirmou que, além das controvérsias, o sistema representa um custo elevado para a distribuidora. “Nós não vamos trabalhar com esses medidores aéreos, chamados de SMC, que na época foram colocados. Isso é um custo muito alto para a distribuidora”, declarou.

A transferência do controle da Amazonas Distribuidora para a Âmbar foi aprovada pela Justiça e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e concluída no dia 10 de abril, quando a empresa passou a operar oficialmente a distribuição de energia no estado.
João Pilla afirmou que a empresa avalia alternativas tecnológicas mais modernas para o sistema de medição, alinhadas à redução de perdas e à melhoria do serviço. Entre os objetivos está o enfrentamento do furto de energia, um dos principais problemas do setor no Amazonas, segundo ele.
Ao comentar o cenário encontrado, o presidente da Âmbar apontou que a rede elétrica do estado apresenta defasagem, sobrecarga e necessidade urgente de manutenção, tanto na capital quanto no interior. De acordo com ele, a fragilidade da rede impacta diretamente a qualidade do fornecimento e aumenta a incidência de falhas e interrupções.
A empresa pretende investir em tecnologia para aumentar a confiabilidade do sistema, com a instalação de sensores e religadores capazes de identificar problemas de forma mais rápida e reduzir o tempo de recuperação do fornecimento. Algumas ações, como poda de árvores e limpeza das faixas próximas à rede elétrica, devem começar de forma imediata, enquanto obras estruturais, como novas subestações, exigirão prazos mais longos.
Atualmente, a distribuidora atende cerca de 1,1 milhão de unidades consumidoras no Amazonas, sendo aproximadamente 600 mil em Manaus e o restante no interior. Dos 62 municípios do estado, apenas oito estão interligados ao Sistema Interligado Nacional, o que mantém a dependência de geração por termelétricas a diesel.
Segundo João Pilla, a Âmbar prepara um plano de investimentos considerado robusto, com horizonte de três anos, voltado à modernização da rede e à ampliação da capacidade de atendimento. Ele também afirmou que o processo de reequilíbrio financeiro da concessão não implica aumento direto na conta de energia, ressaltando que eventuais reajustes são definidos exclusivamente pela Aneel.
A mudança de controle da Amazonas Energia ocorre após um longo processo de negociação e judicialização, iniciado em 2024, em meio a uma crise financeira da concessionária. Pelo acordo firmado, a Âmbar Energia, ligada ao grupo J&F, assumiu o compromisso de realizar um aporte estimado em R$ 9,8 bilhões para a reestruturação da empresa.
Fonte: ATUAL
