O ator e diretor teatral francês Arnaud Denis morreu aos 43 anos após realizar eutanásia na Bélgica. O artista enfrentava uma grave deterioração de saúde desde 2023, quando passou por uma cirurgia para tratar uma hérnia inguinal.
Durante o procedimento, realizado em julho daquele ano, foi implantada uma prótese de polipropileno. Depois da cirurgia, Arnaud passou a apresentar dores intensas e uma série de problemas físicos que, segundo seu advogado, provocaram um quadro de invalidez severa.
Em uma publicação feita em julho de 2025, o ator relatou que já tinha dificuldades para caminhar e sentia dores nos pés e na coluna. Também afirmou que seu estado de saúde vinha piorando de forma contínua.
Artista criou grupo para reunir vítimas de implantes
Diante da própria experiência, Arnaud criou o coletivo “Vítimas Francesas de Próteses para Hérnia”, que passou a reunir relatos de outras pessoas que afirmavam ter enfrentado complicações após receber implantes semelhantes.
O grupo acumulou centenas de relatos nas redes sociais e passou a dar visibilidade às queixas relacionadas aos dispositivos utilizados em cirurgias para tratamento de hérnias.
Em janeiro de 2026, meses antes da morte, o ator afirmou que os médicos já não tinham mais alternativas para oferecer diante da piora do quadro.
Eutanásia na Bélgica
Arnaud havia iniciado o processo para realizar a eutanásia na Bélgica diante da intensidade das dores e da perda progressiva de autonomia.
Em março, ele já estava internado em cuidados paliativos na Bélgica e aguardava a autorização médica para o procedimento. Na época, afirmou que sua decisão estava tomada havia meses e que havia tentado diferentes formas de tratamento.
A eutanásia é um procedimento no qual profissionais de saúde administram medicamentos que provocam a morte do paciente, conforme as regras previstas na legislação do país. Ela é diferente do suicídio assistido, em que o próprio paciente administra a substância fornecida para esse fim.
Carreira no teatro e no cinema
Formado em artes cênicas, Arnaud Denis estudou com os professores Jean Périmony e Jean-Laurent Cochet e também passou pelo Conservatório Nacional de Arte Dramática de Paris.
Em 2003, fundou a companhia teatral Les Compagnons de la Chimère, que dirigiu durante anos. Entre os trabalhos de maior destaque estão Mademoiselle Molière, Marie des poules e A Importância de Ser Prudente, de Oscar Wilde.
No cinema, participou de produções como “Yves Saint Laurent” e “Vivre!”. Também dirigiu e atuou em adaptações de clássicos da literatura e do teatro.
Um de seus últimos trabalhos foi uma releitura de “Ligações Perigosas”, de Pierre Choderlos de Laclos. A montagem recebeu reconhecimento e foi indicada a categorias do prêmio Molières em 2025.
A morte de Arnaud Denis encerra a trajetória de um artista que, nos últimos anos, também passou a atuar como porta-voz de pessoas que relatam complicações relacionadas a implantes para tratamento de hérnia.
