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Brasil investe R$ 44 milhões no desenvolvimento de sensor de freio nacional obrigatório a partir de 2029

Tecnologia criada no Senai Park (PE) une radar e inteligência artificial para ampliar segurança no trânsito e busca reduzir a dependência tecnológica externa das montadoras

(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasi l)

Pernambuco (PE), 15/06/2026 – Pesquisadores de universidades, institutos de pesquisa e empresas do setor automotivo estão desenvolvendo, em território nacional, um sensor brasileiro voltado para sistemas de frenagem automática. A tecnologia será obrigatória em todos os veículos fabricados no país a partir de 1º de janeiro de 2029, cumprindo uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), órgão vinculado ao Ministério dos Transportes.

O desenvolvimento do equipamento acontece no Senai Park de Suape, localizado no litoral de Pernambuco. A estrutura funciona como uma espécie de “berçário de tecnologias” mantido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco (Senai PE).

O projeto conta com um investimento robusto de R$ 44 milhões, coordenado pelo Senai PE, e reúne grandes parceiros da indústria e academia, como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB) e as montadoras Volkswagen e Stellantis (grupo detentor de 14 marcas, incluindo Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën).

Como funciona a tecnologia ADAS

O equipamento em desenvolvimento é um sensor de radar que integra o sistema chamado Adas (sigla em inglês para Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista). O objetivo é reforçar a segurança veicular viabilizando recursos como a frenagem automática de emergência e a assistência de permanência em faixa.

Oziel Alves, diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE, detalha que o processo de funcionamento do sistema é conhecido como “percepção e fusão sensorial”, onde o radar e as câmeras do veículo trabalham em conjunto para tomar decisões seguras de forma autônoma:

  • O Radar: É responsável por detectar objetos à frente e medir, com extrema precisão, a distância e a velocidade em que se encontram.

  • A Câmera: Complementa as informações captadas, identificando a natureza do obstáculo (se é outro carro, um pedestre, um animal, etc.).

“Com essas duas informações integradas, o sistema consegue avaliar o risco de colisão de forma mais completa e tomar, de maneira autônoma, a decisão de acionar a frenagem automaticamente. Isso aumenta a confiabilidade do sistema, pois combina diferentes perspectivas para melhorar a percepção do ambiente e reduzir erros”, pontua Alves.

Para acelerar os testes e validações sem depender exclusivamente de protótipos físicos, os desenvolvedores no Senai Park estão utilizando recursos avançados, como inteligência artificial e gêmeos digitais (réplicas virtuais precisas de um objeto ou sistema).

Foco na redução da dependência externa

Além do ganho em segurança no trânsito, a criação de um sistema 100% nacional possui um forte impacto econômico estratégico: diminuir a dependência tecnológica do Brasil em relação a outros países.

Para Oziel Alves, o desenvolvimento local dessa solução amplia o know-how brasileiro em tecnologias críticas, forma profissionais altamente especializados e constrói uma base de engenharia mais madura. O diretor também destaca os reflexos diretos para o setor, como a maior autonomia de criação, redução gradual de custos ligados a importações e o aumento da competitividade das montadoras e fornecedores locais.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, celebrou a união do setor: “Temos empresas e instituições de pesquisa e desenvolvimento juntas aqui. É só com essa soma de conhecimentos que estaremos prontos para enfrentar os nossos desafios”.

A diretora regional do Senai PE, Camila Barreto, classifica o esforço do projeto como uma iniciativa para “tropicalizar tecnologias” essenciais para o futuro.

“Temos um parque tecnológico, o Senai Park, para implantar todos esses projetos. É lá que a bateria de lítio vai ser desenvolvida”, adiantou a diretora, referindo-se aos futuros projetos de armazenamento de energia que serão fundamentais para a crescente frota nacional de carros híbridos e elétricos.

Fonte: Agência Brasil / D24am

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