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Câmeras digitais voltam à moda entre jovens e impulsionam pequenos negócios; procura cresce até 563%

Estética nostálgica, influência das redes sociais e busca por exclusividade fazem disparar a demanda por modelos antigos

Foto: Getty Images

Depois de anos esquecidas no fundo de gavetas, as câmeras digitais compactas voltaram a ocupar espaço no cotidiano da Geração Z. O movimento, impulsionado pela estética nostálgica dos anos 2000 e pela influência de criadores de conteúdo, transformou equipamentos antigos em itens disputados — e altamente lucrativos para pequenos empreendedores.

Dados da OLX mostram que a procura por modelos da linha Sony Cybershot cresceu 563% no primeiro bimestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Na Shopee, as buscas diárias por câmeras digitais aumentaram mais de 50% desde janeiro de 2024. Em plataformas de revenda, alguns modelos chegam a ultrapassar R$ 6 mil.

O fenômeno tem sido sentido diretamente por lojistas especializados. Athos Souza, proprietário da Festival de Filmes Vencidos (FFV), afirma que a demanda explodiu. Antes, a loja vendia uma câmera digital por semana; agora, as vendas são diárias. Para manter o estoque, ele garimpa equipamentos em lojas prestes a encerrar atividades e aposta na revenda como principal estratégia. A escassez de modelos, segundo ele, também contribui para a valorização.

A jovem empreendedora Nicoly Zuliani, de 21 anos, vive situação semelhante. Dona da loja online Digicamlights, ela começou a vender câmeras digitais antigas após resgatar uma Cybershot da mãe. Com o boom entre 2024 e 2025, suas vendas dobraram. A Canon G7X, um dos modelos mais desejados, teve alta expressiva: o que custava cerca de R$ 4 mil agora ultrapassa R$ 10 mil. Para atender quem busca alternativas mais acessíveis, Nicoly oferece “dupes” entre R$ 300 e R$ 500.

O interesse crescente tem explicações que vão além da nostalgia. Para Souza, o diferencial está no resultado final das imagens. As câmeras digitais antigas entregam fotos com personalidade própria, influenciadas por lentes, sensores e pelo uso do flash — algo difícil de reproduzir nos smartphones, onde tudo tende a parecer igual. Já Nicoly destaca o valor emocional: muitos jovens querem reviver a sensação de fotografar como nos anos 2000.

O perfil dos compradores também mudou. Se antes o público era formado por entusiastas da fotografia, hoje a maior parte são criadores de conteúdo que buscam estilo, originalidade e um toque vintage para suas produções. Com isso, equipamentos que estavam esquecidos se tornaram itens valiosos, movimentando um mercado que parecia ter ficado no passado.

A era dos pixels pode ter começado há mais de duas décadas, mas, para a Geração Z, ela está mais viva do que nunca.

Fonte: PEGM

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