Nairóbi (Quênia) – 13/03/2026 – Um cidadão chinês foi preso no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi, capital do Quênia, suspeito de tentar contrabandear mais de 2 mil formigas rainhas para fora do país. A prisão ocorreu durante uma inspeção de segurança, quando autoridades encontraram os insetos vivos escondidos na bagagem do passageiro, que tinha como destino final a China.
Identificado como Zhang Kequn, o suspeito ainda não se manifestou sobre as acusações. Em audiência judicial, investigadores afirmaram que ele estaria ligado a uma rede de tráfico de formigas desmantelada no Quênia no ano passado. Segundo os promotores, Zhang teria utilizado métodos improvisados para transportar os insetos, incluindo tubos de ensaio especiais e rolos de papel higiênico.
De acordo com o promotor Allen Mulama, foram encontradas 1.948 formigas embaladas em tubos de ensaio dentro da bagagem pessoal do acusado. Outras 300 formigas vivas estavam escondidas em três rolos de papel higiênico. Diante das suspeitas, o Ministério Público solicitou autorização judicial para realizar perícia no telefone celular e no laptop do investigado.
As formigas apreendidas pertencem a espécies protegidas por tratados internacionais de biodiversidade, cujo comércio é rigorosamente regulamentado. O Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS) já havia alertado, no ano passado, para o aumento da demanda por formigas da espécie Messor cephalotes na Europa e na Ásia, onde são mantidas como animais de estimação por colecionadores.
Um funcionário de alto escalão do KWS afirmou que novas prisões podem ocorrer, uma vez que as investigações estão sendo ampliadas para outras cidades quenianas onde há suspeitas de coleta ilegal de formigas. Em maio do ano passado, um tribunal do país condenou quatro homens — dois belgas, um vietnamita e um queniano — a um ano de prisão ou ao pagamento de multa por tentarem contrabandear milhares de formigas rainhas vivas, em um caso considerado inédito pelas autoridades.
Na quarta-feira (11), a Justiça autorizou a detenção de Zhang Kequn por cinco dias, a fim de permitir o avanço das investigações. As autoridades acreditam que os insetos contrabandeados tinham como destino mercados de animais exóticos na Europa e na Ásia.
Fonte: Correio Braziliense
