A Colômbia está ampliando a presença do Exército nas cidades diante do avanço da violência e da disputa territorial entre grupos armados ligados ao narcotráfico. A medida mais recente foi anunciada pelo presidente Abelardo de la Espriella, que determinou o envio temporário de tropas para Cúcuta, cidade com mais de 800 mil habitantes na fronteira com a Venezuela.
A decisão foi tomada após o assassinato de Miguel Castellanos Serrano, ex-secretário de Governo e pré-candidato à prefeitura, e uma explosão perto da sede da Direção de Impostos e Alfândegas Nacionais (DIAN), que deixou seis pessoas feridas.
O reforço militar atuará em conjunto com a Polícia Nacional. O governo também anunciou a ativação da operação Esparta e do Bloco de Segurança Urbana, a partir de 3 de novembro, com ações voltadas ao combate às organizações criminosas e às suas fontes de financiamento.
A violência na região está relacionada à disputa entre grupos como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidências das antigas Farc pelo controle de rotas do narcotráfico e outras atividades ilegais. Nas proximidades de Cúcuta fica Catatumbo, uma das áreas mais afetadas pelo conflito armado colombiano. Desde o início de 2025, mais de 100 mil pessoas foram deslocadas pelos confrontos, segundo dados citados pelo jornal El País.
A presença de tropas também foi ampliada em setembro em Santa Marta, no litoral do Caribe colombiano, após ataques a estabelecimentos comerciais e incêndios de veículos atribuídos às Autodefesas Conquistadoras da Sierra Nevada (ACSN).
Mudança na política de segurança
Desde que assumiu a Presidência, em agosto, De la Espriella suspendeu negociações de paz com grupos armados iniciadas durante o governo de Gustavo Petro e passou a defender uma atuação mais ofensiva das forças de segurança.
A estratégia inclui operações contra acampamentos de guerrilhas, reforço do policiamento e ações para atingir o financiamento das organizações ilegais. Apesar disso, a ampliação da presença militar também é alvo de questionamentos de representantes de entidades de direitos humanos e críticos do governo, que apontam que o envio de soldados, por si só, não resolve as disputas territoriais nem desarticula as redes criminosas.
