O conselheiro Ari Moutinho Jr., do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), afirmou durante a sessão desta terça-feira (6) que o resultado das eleições representou uma resposta dos eleitores à condução política do Estado nos últimos anos. Durante o pronunciamento, ele fez críticas à gestão do ex-governador Wilson Lima (União Progressista) e a outros gestores públicos.
Ao comentar o resultado das urnas, Moutinho afirmou que os eleitores não teriam aceitado mais o que classificou como “gracejos”, “danças”, “deboches” e a “homologação do que quadrilhas fizeram no Estado nos últimos oito anos”.
“O povo fez a parte dele”, declarou o conselheiro, ao propor uma moção aos senadores eleitos Eduardo Braga e Plínio Valério.
Wilson Lima terminou a disputa pelo Senado em quarto lugar e não conseguiu uma das duas vagas do Amazonas. No pleito para o Governo do Estado, Omar Aziz e Maria do Carmo avançaram para o segundo turno.
Críticas à gestão estadual
Durante o pronunciamento, Moutinho afirmou que a eleição foi marcada pelo silêncio dos eleitores e interpretou o resultado como manifestação de insatisfação com os últimos anos da administração estadual.
“Eu acho que esta foi a eleição mais calada da história do Estado”, disse.
O conselheiro também comemorou a passagem de Omar Aziz e Maria do Carmo ao segundo turno e afirmou que os dois não fariam parte do que chamou de “verdadeiras organizações criminosas” que, segundo ele, estariam à frente do Estado nos últimos oito anos.
Moutinho foi nomeado para o TCE-AM em dezembro de 2008 pelo então governador Eduardo Braga, após a indicação ser aprovada pela Assembleia Legislativa do Amazonas.
“Educação falida”
A educação foi um dos principais pontos abordados pelo conselheiro. Moutinho classificou a situação do setor como “falida, assaltada, vilipendiada, violentada” e afirmou que crianças estariam sem merenda tanto na capital quanto no interior.
Ele também relatou as condições encontradas na escola onde votou, no bairro Nova Esperança, em Manaus. Segundo o conselheiro, a unidade estava sem ar-condicionado e ele teria aguardado cerca de uma hora e meia para votar.
“A escola, um verdadeiro lixo, um sofrimento”, afirmou.
Durante a sessão, Moutinho fez as críticas diante do conselheiro Luís Fabian, que ocupou o cargo de secretário de Educação durante a gestão de Wilson Lima. Ao se referir aos responsáveis pela condução da área, utilizou expressões como “assaltantes”, “farsantes” e “ladrões do futuro das crianças amazonenses”.
“Não têm o mínimo de remorso?”, questionou.
Conselheiro também cobra atuação do TCE
As críticas de Moutinho também foram direcionadas ao próprio Tribunal de Contas. O conselheiro defendeu uma “mea culpa de todos nós” e afirmou que o resultado das eleições deveria ser interpretado como um recado às instituições.
“Não existem intocáveis. Não existem poderosos que não respeitem o maior de todos os poderes, que é a soberania popular”, declarou.
As declarações foram feitas durante a sessão do TCE-AM desta terça-feira (6), após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições no Amazonas.
