Brasília/DF, (26/01/26) – Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) mostram que o número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil saltou de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024. A incidência da doença, segundo a entidade, apresenta um padrão regional claro, com os estados do Sul e do Sudeste concentrando taxas mais elevadas. A projeção nacional, em 2024, foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, ligeiramente abaixo do pico registrado em 2023 (36,28). Em 2024, Espírito Santo (139,37) e Santa Catarina (95,65) lideraram o ranking, seguidos por Rondônia (85,11), que se destacou fora do eixo regional.
Para a SBD, os índices refletem uma combinação de fatores, incluindo maior exposição solar, predominância de pessoas de pele clara e envelhecimento populacional. Nas regiões Norte e Nordeste, as taxas permanecem mais baixas, embora estados como Rondônia (85,11) e Ceará (68,64) tenham apresentado elevação em 2024. Em unidades historicamente marcadas por baixa notificação, como Roraima, Acre e Amapá, o aumento pode indicar avanço na vigilância epidemiológica, ainda que a subnotificação persista, sobretudo em áreas rurais ou de difícil acesso.
A alta de diagnósticos no país foi mais expressiva a partir de 2018, quando se passou a exigir o preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) em exames para análise laboratorial de células e tecidos coletados para biópsia. Dados da entidade mostram que usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) têm 2,6 vezes mais dificuldade para agendar uma avaliação com dermatologista quando comparados a usuários da saúde privada. No SUS, o volume de consultas dermatológicas retornou ao nível pré-pandemia, chegando a 3,97 milhões em 2024, enquanto na saúde suplementar esse número ultrapassou 10 milhões.
A desigualdade de acesso reflete diretamente na complexidade do tratamento. Municípios do interior enfrentam vazios assistenciais e longos deslocamentos para acessar os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Estados como São Paulo (57 unidades), Minas Gerais (31) e Rio Grande do Sul (28) concentram a maioria dos centros especializados. Já unidades federativas como Acre, Amazonas e Amapá contam com apenas um Unacon cada, sem a presença de Cacons.
Entre 2014 e 2025, o tempo de espera para tratamento também revelou disparidades: enquanto Sul e Sudeste iniciam a terapêutica em até 30 dias na maioria dos casos, no Norte e Nordeste a espera frequentemente ultrapassa 60 dias. Diante disso, a SBD defende medidas urgentes, como a inclusão do filtro solar na lista de itens essenciais da Reforma Tributária para reduzir impostos e baixar custos. Os dados foram encaminhados ao Congresso Nacional para estimular a regulamentação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS.
Fonte: Amazonas Atual/ Agência Brasil
