No ano de 2025, a cada 6 horas uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil. Infelizmente, nesse exato momento há um grande número de mulheres vivendo situações similares ao que acontece com a protagonista dessa série.
Clarice é uma menina livre, intensa, impulsiva, cheia de vida. A personagem é vivida por Julia Dalavia, com muita coragem, garra e sensibilidade. Ela é apaixonada por Breno, seu namorado interpretado por Elzio Vieira. E tem em Laura, vivida por Julianna Gerais, uma grande amiga que será fundamental nessa história.
Depois de um desentendimento com o namorado, Clarice, impulsivamente da um beijo em Téo. E Apartir desse momento, sua vida vai virar um inferno. É evidente que Téo tem problemas psicológicos, aliás a atuação de Jaffar Bambirra, é sensacional. Ele vai da doçura até a psicopatia, apresentando vários tipos de emoção.
A interferência de Téo na vida de Clarice, escala rapidamente. Ele a segue, batiza sua bebida e a leva para casa. Posando de bom moço ele começa a manipular a mãe da menina. Fabíula Nascimento, com a competência de sempre, vive uma advogada muito preconceituosa, uma personagem rasa na maior parte da série.
O que acontece com os dois jovens vai além de um relacionamento tóxico. Pois Clarice não consentiu nem com o início da relação. Mas como vários “homens” fazem hoje em dia, ele não se conforma com a rejeição e parte para a violência. E com seus conhecimentos de estudante de medicina, mantém sua vítima dopada e a sequestra.
Com sua mente psicopata Téo manipula todos a sua volta, o recepcionista da pousada onde se hospedam, os amigos de Clarice e até a sua mãe, vivida por Débora Bloch. Uma mulher cadeirante, que sofre as consequências de uma atitude do marido. E começa a desconfiar que seu filho, herdando o comportamento do pai, está indo pelo mesmo caminho.
Clarice fica cada vez mais isolada e acuada. Téo chega a amarrá-la na cama. Quando está livre a moça tenta entrar na cabeça do seu sequestrador. E nesse momento o roteiro baseado no livro de Raphael Montes usa uma estratégia muito interessante. Vemos as mesmas cenas do ponto de vista de um e de outro personagem.
Téo tem uma visão deturpada da realidade. Ele realmente acha que daquela forma pode fazer Clarice se apaixonar por ele. Mas pelo ponto de vista dela, percebemos a realidade. A gente torce por ela, vive a sua angústia e imagina meios para se livrar daquela situação. Da mesma forma que a protagonista, a gente fica preso pela narrativa e não quer parar de assistir.
Apesar de algumas cenas bem pesadas, a série é muito necessária por tratar de um tema muito urgente. Nós precisamos respeitar as mulheres, quebrar de uma vez esse ciclo de violência e lembrar que a sociedade ideal é uma sociedade em que todos têm voz. Independente de classe social, cor da pele, religião, identidade de gênero e do próprio gênero.
Dirigida com excelência por duas mulheres: Thereza de Medicis e Joana Jabace, a série Dias Perfeitos está disponível na Globoplay.
