Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira (3) as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A votação não escolhe um novo presidente, mas define a composição do Congresso americano e pode alterar a relação de forças políticas durante os dois últimos anos do segundo mandato de Donald Trump.
O resultado é acompanhado por outros países porque o controle do Legislativo influencia a aprovação de leis, a liberação de recursos e a fiscalização das decisões do governo. Uma eventual mudança na maioria parlamentar também pode dificultar a implementação de propostas defendidas pelo presidente republicano.
O que está em jogo nas eleições americanas?
Os eleitores vão escolher representantes de diferentes níveis do governo. Entre as principais disputas estão:
- Câmara dos Representantes: todas as 435 cadeiras estão em disputa. Os democratas precisam conquistar quatro assentos líquidos para alcançar a maioria.
- Senado: 35 das 100 cadeiras serão renovadas, sendo 33 eleições regulares e duas especiais. Os democratas precisam conquistar quatro assentos líquidos para assumir o controle.
- Governadorias: 36 estados realizam eleições para governador.
- Legislativos estaduais: milhares de representantes também serão escolhidos, com influência sobre leis e políticas públicas locais.
Atualmente, os republicanos têm maioria nas duas casas do Congresso. Na Câmara, são 219 representantes alinhados ao partido, contra 214 democratas, além de duas vagas abertas. No Senado, os republicanos ocupam 53 cadeiras, enquanto democratas e independentes alinhados à oposição somam 47.
Por que Trump está no centro da disputa?
Mesmo sem ser candidato, Donald Trump é uma das principais figuras das eleições. As midterms funcionam como uma avaliação política dos primeiros dois anos de seu segundo mandato e podem indicar o nível de apoio ao presidente entre os eleitores.
Uma vitória republicana manteria o Congresso alinhado à Casa Branca, facilitando a tramitação de propostas e a aprovação de medidas da administração.
Por outro lado, caso os democratas conquistem a maioria em uma ou nas duas casas legislativas, Trump poderá enfrentar maior resistência para aprovar projetos. A oposição também terá mais espaço para convocar audiências, abrir investigações e fiscalizar as ações do governo.
No Senado, uma eventual mudança de maioria também poderia dificultar a confirmação de juízes e de indicados pelo presidente para cargos importantes da administração federal.
Quais podem ser os reflexos para outros países?
O resultado das eleições também pode repercutir na política externa dos Estados Unidos. Questões como a guerra na Ucrânia, as relações com o Irã, as tarifas comerciais e os investimentos internacionais dependem, em diferentes níveis, das decisões do governo e do Congresso.
Uma mudança no controle legislativo pode ampliar a fiscalização sobre gastos, acordos e decisões da administração Trump. O Congresso também tem influência sobre a aprovação de recursos para ações internacionais e políticas de segurança.
Para o Brasil, possíveis reflexos envolvem as relações comerciais com os Estados Unidos, a política tarifária, os investimentos estrangeiros e o posicionamento americano em questões relacionadas à China, ao clima e à segurança internacional.
Isso não significa que uma mudança na composição do Congresso altere automaticamente a política externa americana. O presidente mantém poderes executivos importantes, mas pode encontrar mais obstáculos políticos e legislativos para implementar determinadas iniciativas.
Quais disputas merecem atenção?
No Senado, algumas das disputas acompanhadas de perto envolvem estados como Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Michigan, Carolina do Norte, Nova Hampshire, Ohio e Texas.
Na Câmara dos Representantes, a disputa também é apertada. Como os republicanos possuem uma maioria reduzida, a conquista de poucos assentos pode alterar o comando da Casa.
Os resultados serão divulgados após o fechamento das urnas em cada estado, respeitando os diferentes fusos horários americanos. Em disputas equilibradas, a definição dos vencedores pode levar mais tempo.
O que pode acontecer com o governo Trump?
O resultado das midterms será determinante para a relação entre a Casa Branca e o Congresso até janeiro de 2029, quando termina o segundo mandato de Trump.
Se os republicanos mantiverem a maioria, o presidente continuará contando com maior alinhamento legislativo. Se os democratas avançarem, poderão ampliar a fiscalização e dificultar a aprovação de parte das propostas do governo.
A eleição, portanto, não decide quem ocupará a Presidência, mas pode redefinir os limites políticos enfrentados por Trump nos próximos dois anos.
