Um estudo brasileiro que avaliou 1.158 adultos com sintomas de insônia identificou um dado preocupante sobre o uso de medicamentos para dormir: 40% dos participantes que relataram utilizar esses remédios disseram fazer isso sem prescrição médica.
Ao todo, 60% dos participantes afirmaram usar algum medicamento para dormir. Entre eles, 442 pessoas, cerca de 38% da amostra, relataram uso frequente, de cinco a sete noites por semana.
O zolpidem foi o medicamento individual mais citado. Entre os usuários ocasionais, 33% disseram utilizar o remédio. Já entre aqueles que faziam uso contínuo, o percentual chegou a 46%.
Os chamados medicamentos Z, grupo que inclui o zolpidem, foram os mais frequentes, seguidos pelos benzodiazepínicos e antidepressivos sedativos.
Uso sem orientação médica
Entre os participantes que usavam medicamentos para dormir, 420 afirmaram que o remédio havia sido prescrito. Outros 274, equivalentes a 40%, relataram uso sem prescrição.
Nesse grupo, os produtos mais citados foram anti-histamínicos vendidos sem receita e relaxantes musculares. Já entre quem tinha prescrição, medicamentos Z e benzodiazepínicos apareceram com maior frequência.
Segundo a coordenadora do estudo, Renatha El Rafihi-Ferreira, os medicamentos podem fazer parte do tratamento da insônia, mas a escolha precisa ser individualizada e acompanhada por um profissional.
A pesquisadora também alerta que pessoas que já utilizam esses medicamentos regularmente não devem interromper o tratamento por conta própria.
No caso do zolpidem, ela destaca que o medicamento pode ser eficaz quando corretamente indicado, mas seu uso é recomendado por período limitado. O uso prolongado pode estar associado a tolerância e dependência.
Insônia mais grave aumenta chance de uso
A pesquisa também encontrou relação entre a intensidade da insônia e o consumo de medicamentos. A cada ponto adicional no Índice de Gravidade da Insônia (ISI), houve aumento de 14% nas chances de uso de remédios para dormir.
Os participantes que utilizavam medicamentos apresentaram pontuação média de 19,93 no índice, enquanto entre os que não utilizavam a média foi de 17,71.
Nas primeiras análises, os usuários de medicamentos também apresentaram níveis médios mais altos de ansiedade e depressão. Porém, depois que os pesquisadores consideraram diferentes características dos participantes no modelo estatístico, essas variáveis não apresentaram associação significativa com o uso dos medicamentos.
O estudo também identificou relatos de diferentes classes de medicamentos, incluindo medicamentos Z, benzodiazepínicos, antidepressivos sedativos, antipsicóticos e anticonvulsivantes. Como os participantes poderiam utilizar mais de um medicamento, as categorias não são excludentes.
