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Estudo revela que combinação de medicamentos elimina tumores do câncer de pâncreas

Pesquisa espanhola mostra regressão total em testes laboratoriais.

Divulgação/Hospital Albert Einstein

Madrid – 30/01/26 – Um estudo conduzido pelo Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO) trouxe esperança no combate ao câncer de pâncreas, considerado um dos mais agressivos e letais da oncologia. A pesquisa revelou que uma combinação de medicamentos conseguiu eliminar completamente tumores pancreáticos em modelos animais.

Os resultados foram publicados na revista científica PNAS e mostraram que os tumores desapareceram em um período de três a quatro semanas. Mais do que a regressão em camundongos, o estudo oferece uma estratégia para superar um dos maiores desafios da medicina atual: a resistência tumoral aos tratamentos.

Como funciona a terapia

A abordagem atua em três frentes simultâneas:

  • Bloqueio do oncogene KRAS, principal motor do câncer de pâncreas;
  • Inibição das proteínas EGFR e STAT3, vias de sinalização usadas pelo tumor para sobreviver e se expandir;
  • Interrupção do crescimento das células malignas em pontos vitais.

Ao atacar esses três mecanismos ao mesmo tempo, os cientistas conseguiram “encurralar” a doença, impedindo que ela se adaptasse e voltasse a crescer.

Por que o câncer de pâncreas é tão letal

O pâncreas é uma glândula localizada atrás do estômago, essencial na produção de insulina e enzimas digestivas. O tipo mais comum da doença é o adenocarcinoma, responsável por 90% dos casos.

A dificuldade está no caráter silencioso da enfermidade: a localização do órgão e a ausência de sintomas precoces fazem com que a maioria dos diagnósticos ocorra em fases avançadas.

No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pâncreas ocupa a 14ª posição em frequência, mas é o 5º mais letal entre as mulheres. Embora represente apenas 1% dos casos totais de câncer, responde por cerca de 5% das mortes oncológicas no país.

Próximos passos

O estudo, liderado pelo oncologista Mariano Barbacid, ainda está em fase experimental. O próximo desafio é o refinamento das substâncias para aplicação em humanos.

Como os testes mostraram regressão sem depender do sistema imunológico, a terapia pode beneficiar inclusive pacientes com imunidade baixa.

Embora a equipe reconheça que a transição para ensaios clínicos “não será fácil”, o sucesso absoluto em laboratório abre uma nova perspectiva para aumentar a sobrevida de pacientes que historicamente enfrentam poucas opções de tratamento.


Fonte: CNIO / PNAS / Inca

 

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