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Estudo sugere que Alzheimer pode surgir de mecanismo de defesa antiviral do cérebro

Pesquisa indica que emaranhados neurofibrilares, marca registrada da doença, podem ter surgido como proteção contra infecções virais

Foto: PxHere

Um estudo publicado na revista Nature Neuroscience trouxe uma nova perspectiva sobre a origem da doença de Alzheimer. A pesquisa aponta que estruturas consideradas centrais na progressão da doença — os emaranhados neurofibrilares — podem ter surgido como parte de um mecanismo de defesa antiviral do cérebro.

A descoberta envolve a proteína fosfo‑tau (p‑tau), já amplamente associada ao Alzheimer. Em condições normais, ela participa da estabilização dos microtúbulos dos neurônios. Porém, quando passa por um processo de hiperfosforilação, tende a se agrupar e formar os emaranhados característicos da doença.

Pesquisadores do Mass General Brigham observaram que esses aglomerados podem ter um papel protetor. Segundo o neurocientista Rudolph Tanzi, muitas das alterações vistas hoje como patológicas podem ter sido, em algum momento da evolução humana, uma resposta útil contra infecções microbianas. Ele sugere que mutações que favoreciam a formação desses emaranhados poderiam ter oferecido vantagem de sobrevivência em épocas em que a expectativa de vida era baixa. Com o aumento da longevidade, porém, essas mesmas mutações passaram a elevar o risco de Alzheimer.

A proteína fosfo-tau (p-tau) é uma proteína citoesquelética associada aos microtúbulos — Foto: Wikimedia Commons

Para investigar essa hipótese, a equipe utilizou culturas de neurônios humanos com afinidade pela proteína tau e as expôs ao vírus da herpes (HSV‑1). A infecção desencadeou a hiperfosforilação da tau, levando à formação dos emaranhados e ao surgimento de alterações semelhantes às observadas no Alzheimer.

Outro achado relevante foi a capacidade da p‑tau de se ligar ao capsídeo do vírus, neutralizando sua ação. Segundo o pesquisador William Eimer, isso sugere que os emaranhados podem ter surgido originalmente como uma barreira para impedir que o vírus se espalhasse de neurônio para neurônio.

Os resultados reforçam a ideia de que o Alzheimer pode ter raízes em mecanismos de defesa do sistema nervoso, que se tornaram prejudiciais apenas em fases mais tardias da vida. A descoberta abre caminho para novas linhas de pesquisa sobre prevenção e tratamento da doença.

Fonte: CNN Brasil

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